Pesquisadoras da UFBA e da Uneb discutem arte, ciência e afeto na formação docente durante roda de conversa na feira
Tem gente que separa a ciência da arte como quem separa o trabalho do descanso. O grupo de pesquisa FEP, da Faculdade de Educação da UFBA, discorda. Na exposição e roda de conversa “FEP: um devir de estudos e pesquisas em currículo e formação de professores”, realizada na Fligê, pesquisadoras e estudantes mostraram que ciência também se faz com sensibilidade e que formar professores passa por escutar o que a realidade, sozinha, não dá conta de dizer.
À frente da conversa, a professora Inês Carvalho, coordenadora do grupo, contou a trajetória de quase duas décadas de trabalho. O nome oficial é Grupo de Estudo Sobre Formação em Exercício de Professores, sediado na FACED e certificado pelo CNPq. Segundo ela, embora o registro oficial date de 2006, a origem é anterior.
“O nosso grupo é da UFBA, da Faculdade de Educação. Oficialmente ele começou em 2006, porém ele já existia desde 2001, 2002”, explicou. O trabalho nasceu de uma formação de professores no município de Irecê, no interior da Bahia. “E aí o grupo de pesquisa é a perna teórica dessa formação”, resumiu.
Professora da Uneb e pesquisadora do FEP, Núbia Paiva foi quem trouxe a arte para o centro da mesa. Para ela, dentro do grupo, a arte nunca ocupou lugar secundário na produção científica. “A gente traz a arte sob a perspectiva de que ela existe porque a realidade não nos basta”, disse Núbia. Frases nascidas das vivências das próprias pesquisadoras, como “tempo bom é quando chove”, ditado comum entre quem é do sertão e ama a chuva, viraram nomes de grupos de trabalho no evento. Uma delas resume bem o espírito da equipe: “a gente trabalha, mas se diverte”.
Para Núbia, espaços como a feira literária cumprem um papel que vai além da apresentação de pesquisas. “Depois que a gente sai de uma feira dessa, nós somos outras pessoas, nós nos transformamos, e acho que isso reverbera dentro da sala de aula”, afirmou.
Quem também dividiu a mesa foi Carol Benevides, estudante de bacharelado interdisciplinar em artes na UFBA e bolsista de iniciação científica do FEP. Para ela, levar sua pesquisa a um evento voltado majoritariamente para professores, mas frequentado também por muitos estudantes de ensino médio de diferentes territórios, tem um valor particular.
“Fazendo parte do grupo de pesquisa FEP, que foca bastante na formação docente e na práxis docente, e falando bastante disso na minha pesquisa, acho legal trazer esse lugar de pessoa que ainda está em formação, na graduação, fazendo esse caminho na iniciação científica”, contou. Carol destacou ainda a oportunidade de dialogar de igual para igual com pesquisadoras de trajetória consolidada, caso de sua orientadora, a professora Inês Carvalho. “Fazer esse diálogo de igual para igual, acredito que seja muito legal.”
Entre o público, a professora Ana Cláudia Lima também destacou a relevância do encontro. “Foi um momento muito importante, de aprendizado, para ser aplicado em sala de aula. A atualização é sempre fundamental na nossa prática docente”, avaliou.
Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.
O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.
Texto: Samara Dias
Fotos: Igor Chaves




