FligêCine

Feira Literária de Mucugê – 13 a 16 de agosto de 2026

Mucugê – Chapada Diamantina – Bahia

FligêCine – 14 a 16 de agosto

Casa da Flimarmônica 23 de Dezembro

Curadoria – Patrícia Moreira 

Toda história procura um corpo.

Algumas escolhem a palavra. Outras habitam a voz, o gesto, o bordado, a música, a fotografia ou a memória. Há histórias que atravessam gerações antes mesmo de encontrarem uma página. Vivem na oralidade, nas rodas de conversa, nas cantigas, nas mãos que ensinam um ofício, nos silêncios compartilhados e nos modos de existir que o tempo insiste em preservar.

É nesse entendimento que a Fligê nos convida, este ano, a pensar a literatura e as múltiplas formas de dizer. Um convite que amplia a própria ideia de linguagem e reconhece que a criação humana nunca pertenceu a uma única forma de expressão. A literatura transborda o livro. Ela também acontece quando uma imagem organiza uma memória, quando um corpo performa uma narrativa, quando uma câmera transforma o cotidiano em permanência.

O cinema nasce exatamente nesse território de encontro.

Ele escreve com a luz. Constrói frases com o tempo. Organiza pensamentos por meio da montagem e faz do silêncio uma linguagem tão eloquente quanto qualquer palavra. Se a literatura nos oferece a possibilidade de imaginar imagens, o cinema devolve essas imagens ao mundo, carregadas de sons, gestos, ausências e afetos. Ambos compartilham o mesmo desejo: criar sentidos para a experiência humana.

É nesse diálogo que surge a FligêCine, espaço dedicado ao audiovisual dentro da programação da Fligê. Mais do que incorporar uma nova linguagem ao festival, a mostra reafirma que o cinema também é uma forma de leitura do mundo — uma escrita sensível capaz de preservar memórias, provocar deslocamentos e ampliar nossa compreensão sobre quem somos.

Nesta edição, a FligêCine reúne longas e curtas-metragens realizados por cineastas baianos ou por produções que contam, em sua criação, com a participação de profissionais da Bahia em funções artísticas essenciais. Essa escolha não responde apenas a um recorte geográfico. Ela parte do reconhecimento de que a Bahia ocupa um lugar singular na história do cinema brasileiro e continua sendo um território fértil para a invenção de novas imagens, novas narrativas e novos modos de pensar o mundo.

Mais do que representar um lugar, esses filmes revelam maneiras distintas de habitá-lo. São obras que dialogam com a memória e com o presente, com o patrimônio e com a experimentação, com as permanências e as transformações que constituem a experiência contemporânea.

A curadoria desta edição foi construída como uma travessia.

Começamos pelas raízes, porque toda narrativa nasce de algum lugar. Em Raízes emCENA – Cinema, Memória, Ancestralidades e Cultura Baiana, os filmes nos conduzem por histórias atravessadas pelos saberes ancestrais, pelas tradições populares, pelos territórios, pelas heranças culturais e pelas memórias que continuam moldando nossa identidade coletiva. São obras que compreendem a ancestralidade não como passado, mas como presença viva, capaz de orientar o presente e imaginar futuros.

Seguimos para Diferenças emCENA – Diversidade, Representação e Novos Olhares, reconhecendo que toda linguagem também é um gesto político. Ao ampliar quem fala, quem filma e quem é visto, o cinema transforma a maneira como percebemos o outro e a nós mesmos. As obras reunidas nesse encontro reafirmam que a diversidade não é um tema, mas uma condição da própria existência humana. Cada nova voz que ocupa a tela amplia também as possibilidades de narrar o mundo.

Encerramos a mostra com Sonhos emCENA – Sessão Infantil: Encantamentos, Imaginação e Natureza, celebrando a infância como o lugar onde toda linguagem começa. É nela que aprendemos a imaginar, a atribuir sentido às coisas e a reconhecer que o invisível também faz parte da realidade. As narrativas apresentadas convidam crianças e adultos a reencontrarem os encantamentos presentes nas histórias populares, nas lendas, na natureza e na potência criadora da imaginação.

Ao reunir esses três percursos, a FligêCine propõe uma experiência que parte da memória, atravessa a diversidade e desemboca no encantamento. Três movimentos que, juntos, revelam diferentes formas de dizer, de existir e de imaginar.

Porque toda obra nasce de uma tentativa de comunicar aquilo que, muitas vezes, não cabe inteiramente nas palavras. E talvez seja justamente por isso que a literatura e o cinema continuem caminhando lado a lado: ambos acreditam que narrar é uma forma de permanecer.

Patrícia Moreira

Cineasta e Curadora da FligêCine

Clique aqui e confira a programação completa.

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.


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