Exposição Fotográfica Paisagens das Lavras Diamantinas
13 a 16 de agosto de 2026
Casarão
O fotógrafo Thalison Ribeiro apresenta a exposição Paisagens das Lavras Diamantinas, resultado de doze anos de imersão fotográfica sobre o cenário marcado pela epopeia do diamante na Bahia.
A série percorre vestígios materiais do ciclo do diamante na Chapada Diamantina, retratando as “tocas” de garimpeiros, ruínas, aquedutos e estruturas construídas durante a intensa exploração mineral que transformou a Serra do Sincorá a partir da descoberta de grandes jazidas de diamante, em meados do século XIX.
Após a descoberta dos diamantes, em 1844, no Riachão do Mucugê, a notícia espalhou-se rapidamente, atraindo milhares de pessoas vindas dos quatro cantos da Bahia e do estado de Minas Gerais em busca do brilho das pedras preciosas, então encontradas com relativa facilidade no cascalho virgem dos rios e nas ricas grupiaras das serras. Esse movimento deu origem às afamadas Lavras Diamantinas, denominação que consagrou a região como a maior produtora mundial de diamantes durante muitos anos.
Entretanto, as técnicas de garimpagem, concentradas principalmente na exploração do cascalho aluvial, levaram ao progressivo esgotamento das jazidas mais acessíveis. Somado a isso, o surgimento da concorrência das minas sul-africanas, descobertas em 1867, contribuiu para o declínio da atividade. Como consequência, ocorreu um intenso êxodo populacional, e os garimpeiros abandonaram a região, deixando para trás um vasto patrimônio material composto por obras de grande porte e notável engenhosidade, testemunhos de um período de prosperidade econômica que marcou profundamente a história local.
A corrida pelo diamante provocou profundas transformações econômicas, políticas e demográficas na Bahia, impulsionando o povoamento de áreas até então pouco habitadas. Ao mesmo tempo, alterou radicalmente a paisagem: florestas foram derrubadas, cursos d’água desviados e extensas estruturas de pedra erguidas para sustentar a atividade garimpeira — algumas delas de dimensão monumental.
Entre as inúmeras construções em pedra catalogadas e interpretadas ao longo da pesquisa, a mostra destaca as tocas, os ranchos e o complexo sistema hidráulico de captação e distribuição de água destinado à lavagem do cascalho nas serras. Essas estruturas surpreendem pela engenhosidade de seus “bicanos” e pela diversidade de abrigos utilizados pelos garimpeiros e suas famílias durante os tempos de riqueza e prosperidade das lavras. As 28 fotografias da exposição investigam a permanência dessas marcas na paisagem contemporânea. Captadas em preto e branco, as imagens enfatizam a dramaticidade das cenas e suspendem o tempo histórico, aproximando ruína, memória e território. Entre vestígios arquitetônicos e a presença do garimpeiro, a exposição revela não apenas a história da mineração, mas também o legado deixado pela complexa relação entre homem, natureza e ambição.
Thalison Ribeiro



