Terras raras, águas sequestradas: Fligê debate literatura, fé e clima na Chapada

Mesa reuniu ciência, fé e literatura para debater os impactos da exploração de recursos naturais na Chapada Diamantina e o futuro das próximas gerações.

A tarde na Feira Literária de Mucugê (Fligê), nesta sexta-feira (13), foi recheada de mesas de conversa especiais, e uma delas aconteceu no Centro Cultural, com o tema “Terras raras, águas sequestradas e palavra como fonte”. Os convidados para explanar a temática foram a escritora, professora e pós-doutora em transição energética e mulheres, Gislene Moreira, e o escritor, poeta e arcebispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, Dom Vicente de Paula. A conversa aconteceu com a mediação de Elton Becker.

A mesa em questão provocou uma discussão sobre os avanços das mudanças climáticas e seus impactos na sociedade, além de promover um encontro entre a espiritualidade, literatura, educação, questões socioambientais e um convite a refletir sobre os desafios do nosso tempo. O encontro propôs aos presentes uma escuta atenta às vozes dos territórios, das águas e das pessoas que fazem parte dele.

Gislene Moreira expôs questões históricas e sociais ao explicar que a literatura e o imaginário são parte fundamental para a construção do que sabemos sobre o que é a mudança climática, a transição energética e como isso faz parte da nossa história. “Eu sou uma cientista que mistura o olhar da literatura e o olhar da cientista para usar a palavra como instrumento de luta e transformação social”, explicou a professora.

Dom Vicente de Paula conduziu a conversa pelo lado espiritual e cristão que envolve a natureza, as criações divinas e a importância do cuidado com a casa comum, que é o planeta Terra. Dom Vicente afirma que “a Chapada Diamantina é um paraíso, uma arquitetura divina que deve ser protegida”.

Ambos os convidados colocaram em pauta os interesses das grandes indústrias em explorar os recursos naturais para alimentar o capitalismo, destacando as problemáticas que isso pode acarretar para a população local, como riscos psicológicos, à saúde e desastres ambientais, tais como rompimento de barragens. O alerta final foi para a necessidade de se debater se existirá um mundo no futuro para as crianças de hoje.

Repórter Carol Souzza

Fotógrafo: Thiago Gama 

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.

 

 


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