Roda de conversa reúne poetas na Fligê para discutir “formas poéticas do dizer”

Encontro na Tenda Literária destacou obras autorais e o papel da poesia no cotidiano

A Feira Literária de Mucugê (Fligê) recebeu, no Palco Tenda Literária, a roda de conversa “Formas Poéticas do Dizer”, reunindo os poetas Lucas de Matos, Antônio Maciel e Gabriel Nabuco, além do editor Thiago Gatti, da Editora Arpileira. Entre versos e memórias, os quatro discutiram o papel da poesia diante da correria do dia a dia.

Lucas de Matos abriu a roda falando sobre a finitude da vida e o desperdício de não dizer, a tempo, o que sentimos por quem amamos. “A gente tem data de validade”, afirmou, ao lembrar que muitas vezes ficamos presos à tristeza e à raiva em vez de viver o presente. Para ele, a escrita é um convite a “agir enquanto existe o desejo, a vontade, a ousadia”, transformando o cotidiano em algo maior. “Quero usufruir todos os segundos”, disse, antes de se declarar um “viciado em matéria de viver”.

Antônio Maciel trouxe ao público um convite mais direto: parar tudo e ler um poema. Contou que uma médica lhe relatou recorrer a versos que dialoguem com o que sente no momento e que, ao encontrar o poema certo, repete a leitura diversas vezes. Ele leu trechos de seu livro mais recente, no qual propõe um exercício de despojamento: “desnude o olhar, esqueça do ódio e do amor as cores e as formas”. Encerrou convidando a plateia a fechar os olhos e, em seguida, “abrir novamente” para o que sente.

Gabriel Nabuco contou uma história vivida num forró: ao chamar uma moça para dançar, ela machucou o pé por não ter olhado para o chão ao sair do carro. O episódio virou mote para falar de seu livro, que propõe uma espécie de revolução no olhar cotidiano. Citando os poetas Adélia Prado e Manoel de Barros como referências, afirmou que “as formigas são as estrelas da pedra” e que a poesia serve para nos reconectar com as “miudezas do cotidiano” que costumam passar despercebidas. Ao final, leu um poema em que credita à formiga o momento em que se descobriu poeta: “a formiga me fez poeta”.

Thiago Gatti, à frente da Arpileira, editora que produz livros artesanais costurados à mão, falou sobre o ofício de editar poesia. Comparou seu trabalho a “uma nuvem carregada que precisa desaguar”, guardando histórias e memórias até o momento de compartilhá-las. Destacou ainda a satisfação de dividir a mesa com poetas que admira e reforçou que a poesia é “uma das mais belas formas do dizer”.

Repórter: Kamile Cardoso 

Fotógrafo: Igor Chaves

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia


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