Políticas Públicas, Curadoria e Território: Fligê debate a expansão das feiras literárias no Brasil

Mediada por Elton Becker, a mesa reunindo Fabiano Piúba (MinC), Luiz Paulo Neiva (Flican) e Inez Carvalho (Flirecê) refletiu sobre o impacto social dos festivais, a formação de leitores e a força das identidades locais

O papel transformador, os desafios de financiamento e o alcance social das celebrações do livro no país deram o tom da mesa “Feiras, festas e festivais literários no Brasil e no mundo”, realizada na noite deste sábado (15), no Centro Cultural. Mediado por Elton Becker, o painel colocou em diálogo o professor, escritor e atual secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura (MinC), Fabiano Piúba; o professor e curador da Feira Literária Internacional de Canudos (Flican), Luiz Paulo Neiva; e a professora e curadora da Feira Literária de Irecê (Flirecê), Inez Carvalho.

A experiência da Feira Literária de Irecê serviu de gancho para discutir como cada evento desabrocha no seu próprio tempo. A curadora Inez Carvalho recordou que a Flirecê nasceu há quatro anos, a partir de um convite da curadora da Fligê, Ester Figueiredo, e recentemente teve sua quarta edição, que celebrou o centenário do município de Irecê com o tema “100 anos de um território”. Para Inez, o grande trunfo das feiras do interior é fugir de modelos padronizados, concentrando-se no eixo da formação leitora e na provocação de “ler a cidade” a partir das relações humanas e do pertencimento local.

Sob a perspectiva da Feira Literária Internacional de Canudos (Flican), o curador Luiz Paulo Neiva apontou a Fligê como uma referência contínua de aprendizado e criticou os formatos de feiras que se reduzem à espetacularização ou à mercantilização pura do livro. Neiva explicou que a Flican coloca a comunidade escolar no centro absoluto da programação: todas as escolas da rede participam, ao longo do semestre, de concursos literários, cujos textos finalistas são editados em livros pelo selo próprio do evento, deixando um legado permanente de incentivo à escrita e ao fortalecimento da memória sertaneja.

Representando o governo federal, o secretário Fabiano Piúba contextualizou a reconstrução do Ministério da Cultura e a regulamentação da Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE). Piúba detalhou o lançamento do Mapa dos Agentes Literários do Brasil, ferramenta do MinC que já catalogou mais de 500 feiras e festivais pelo país, com forte presença do circuito baiano. O secretário ressaltou que uma feira literária consistente é aquela capaz de articular os quatro eixos do Plano Nacional do Livro e Leitura: a garantia de acesso ao livro, a promoção da leitura, a valorização da literatura no imaginário social e a dinamização da economia da cultura.

Ao final, a discussão convergiu para a urgência de fortalecer redes colaborativas de curadores e garantir mecanismos perenes de financiamento público e privado para as feiras do interior. Entre a dimensão institucional trazida pelo MinC e as vivências comunitárias de Canudos e Irecê, a mesa reafirmou que as feiras literárias ultrapassam a venda de exemplares: funcionam como territórios fundamentais de resistência cultural, formação cidadã e democratização do conhecimento.

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.

Repórter: Carol França
Fotógrafo: Igor Chaves


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