O livro como direito: Fligê debate políticas públicas de leitura

Gestores da cultura e da educação discutem no Centro Cultural como transformar o acesso à literatura em política de Estado na Bahia

A manhã desta sexta-feira (14) começou com uma provocação necessária no Centro Cultural da Fligê: afinal, o que significa transformar o acesso ao livro em política de Estado? Foi essa a pergunta que atravessou a mesa “O direito ao livro e à leitura nas políticas públicas”, reunindo dois nomes que pensam a cultura e a educação baiana a partir de lugares distintos, mas complementares.

Sandro Magalhães chegou à mesa com a bagagem de quem transita entre a sala de aula e a gestão pública. Professor da rede pública, graduado em Letras Vernáculas e especialista em Estudos Culturais, ele hoje dirige a Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia. Foi com essa experiência que defendeu o livro como ferramenta de transformação social. “O livro é acesso ao conhecimento, é acesso às informações, é desenvolvimento de pensamento crítico. Nenhuma sociedade como a nossa, em desenvolvimento social, pode deixar de transformar esse direito em política pública”, disse, propondo que a leitura seja tratada junto a outras urgências do estado, como o enfrentamento à pobreza, ao analfabetismo e à desigualdade.

Ao seu lado, Manoel Calazans, professor que está à frente da Superintendência de Políticas para Educação Básica da Secretaria de Educação da Bahia, trouxe o olhar de quem vive o cotidiano escolar. Para ele, formar leitores é formar pessoas capazes de interpretar o mundo. “É dever do Estado promover o livro, a leitura, a formação das bibliotecas e dos espaços de leitura”, afirmou, lembrando que cabe à escola pública aproximar os estudantes dos autores e dos livros, para além dos muros da sala de aula.

Foi justamente esse encontro entre literatura e território que Manoel destacou ao falar da própria Fligê. Estudantes de Mucugê, Palmeiras e outras cidades da Chapada de Diamantina ocupam a feira nestes dias, e a expectativa é que mais de mil alunos da rede estadual passem por ali. Segundo ele, essa presença cumpre um papel que vai além da visita.

“A gente traz o estudante para que ele tenha essa ideia de pertencimento a esse mundo da leitura. Não podemos pregar o livro apenas como algo estático, produzido no sul do país e que chega pronto à escola. Ele precisa entender toda a cadeia editorial, desde a ideia que nasce na subjetividade de um escritor até a impressão, a comercialização e a chegada às escolas”, destacou.

Sandro reforçou essa ideia ao falar da própria feira como espaço de mobilização. “Aqui é um ambiente de debater o direito à literatura. Uma feira que reúne grandes autores, estudantes da escola pública estadual, gestores da cultura e do livro, curadores de outras feiras literárias, é bastante significativa para essa mobilização necessária”, observou.

Entre o público que acompanhou o debate estava a psicóloga Luiza Sanches, que resumiu bem o que ficou no ar depois da mesa: o livro como direito, e não como privilégio. “Essa mesa traz para esse espaço de festa da literatura um momento importante em que a gente consegue se implicar enquanto cidadãos e perceber o papel da política pública na expansão do acesso à leitura e ao livro, como algo que vai resgatar a nossa população da pobreza, da exclusão, e trazer esse direito de fato como um direito para todos”, disse.

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.

Texto: Samara Dias

Fotos: Talis Ribeiro

 

 


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