Literatura ganha as ruas de Mucugê em cortejo de abertura da Fligê 2026

Estudantes de diferentes escolas ocuparam o centro histórico com poesia, música, Libras, imagens, escrita e tecnologia na abertura da nona edição da Feira Literária de Mucugê

As ruas do centro histórico de Mucugê foram tomadas pela tradução literal do tema da nona edição da Feira Literária de Mucugê. O tradicional cortejo de abertura marcou o início da programação nesta quinta-feira (13), e reuniu múltiplas e diversas formas do dizer da literatura, como a arte, a poesia, a música e o texto. Este ano, o desfile também contou a história da escrita, desde a sua concepção até a influência das novas tecnologias na forma de escrever e se comunicar.

A primeira ala do desfile apresentou os homenageados do evento, representados em fotografias levadas por estudantes de Mucugê. Cada um deles simboliza uma linguagem diferente da expressão artística: a música, representada pela maestrina Lilian Barato e pelo músico Trazíbulo Vilarinho; a poesia e a arquitetura, por Dona Nélia Paixão; e a cultura popular, por Almerinda Silva Jardim. Juntos, os homenageados revelam a pluralidade da arte e da literatura, protagonistas da Feira Literária.

Logo em seguida, os estudantes do Colégio Estadual de Tempo Integral de Mucugê (CETIM) apresentaram o pelotão “Vozes da Terra”, que revelou as pinturas rupestres como alguns dos primeiros registros visuais produzidos por seres humanos. Apesar de não serem consideradas formas de escrita, elas contribuíram para o desenvolvimento dos sistemas de registro e comunicação que surgiram posteriormente.

A ala seguinte, “Corpo e Verso”, também composta por estudantes do CETIM, trouxe a Língua Brasileira de Sinais como forma de expressão e inclusão. Espalhando a mensagem das mãos que podem falar e incentivando a aprendizagem de Libras, o pelotão destacou a importância da língua na inclusão e na garantia do direito de se comunicar.

A música do desfile ficou por conta da FANCETIM e da FANLÚCIA, fanfarras compostas por estudantes de Mucugê e de Barra da Estiva. Com marchas e instrumentais, as bandas conduziram público e participantes durante o trajeto, embelezando o desfile com melodias que marcaram os passos e encantaram os ouvintes.

No intervalo das músicas, os estudantes recitavam em conjunto poemas de Itamar Vieira Júnior, escritor premiado e autor da Trilogia da Terra, que tem como um dos títulos o romance “Torto Arado”. Este ano, o escritor marca presença na Fligê para celebrar a escolha da sua obra como enredo da escola de samba Unidos de Vila Isabel para o carnaval de 2027, no Rio de Janeiro.

Já o Grupo Escolar Anatalino Pina Medrado trouxe para as ruas a imagem como forma de leitura do mundo e representação da identidade da Chapada Diamantina. Em meio ao cortejo, molduras enquadravam histórias vivas de pessoas comuns que escrevem o cotidiano e produzem sentido, significado e pertencimento à cidade de Mucugê. Intitulados como “caçadores de imagens”, os estudantes andavam em meio ao público, convidando as pessoas a formarem imagens atrás de suas molduras.

As Escolas Reunidas Dr. Rodrigues Lima levaram para o cortejo a ala “Letra e Papel”, evidenciando a escrita como lugar de fuga do cotidiano. Faixas e cartazes com frases e mensagens destacaram como as palavras podem nos transportar para lugares que a vida, por si só, não alcança, criando mundos, despertando imaginários e aproximando diferentes realidades.

Por fim, a escola Lapidar apresentou a ala “Novos Dizeres”, que levou para o cortejo as novas formas de comunicação proporcionadas pela tecnologia. Emojis e hashtags representaram uma linguagem que ganhou espaço nas relações contemporâneas, enquanto megafones espalharam entre o público mensagens de conscientização e combate ao racismo e à violência contra a mulher.

Para a curadora da Fligê, Esther Figueiredo, a abertura do evento é um momento especial, pois agrega todas as manifestações culturais produzidas pelos estudantes de Mucugê e da Chapada Diamantina. “A Fligê tem esse programa de formação e letramento literário e as alas desse desfile são justamente o resultado das produções nos coletivos e nas escolas do território. Então, a expectativa é grande, com o coração cheio e muita esperança na literatura”, disse a professora.

O curador adjunto, Marcos George Paraguassú, também diretor de uma das escolas do município, evidenciou como o cortejo literário também é um momento de aprendizado. “O emocionante em relação a esse cortejo é que a gente consegue entender, a partir das alas, apresentações e flashmobs dos estudantes no percurso, a evolução da escrita e o tema da feira neste ano”, refletiu.

Um dos parceiros de realização da Fligê é a Fundação Pedro Calmon, que, neste ano, participou do desfile de abertura, representada pelo diretor-geral Sandro Magalhães e pela diretora do livro e da leitura, Érica Ferreira. Para ela, o cortejo é um momento importante da feira, pois conta com a participação ativa dos estudantes de uma maneira lúdica e criativa. “Esse é um momento especial de conhecer a cidade e uma oportunidade de sair do formato tradicional das mesas para difundir a política do livro e da literatura, por isso eu gosto muito”, declarou Érica.

Ao ocupar as ruas de Mucugê, o cortejo mostrou que a literatura pode se manifestar de diferentes maneiras e alcançar públicos por meio de palavras, gestos, imagens, sons e novas tecnologias. Em uma celebração que reuniu diferentes gerações e expressões culturais, a abertura da Feira Literária reforçou o convite proposto por esta edição: reconhecer que existem muitas formas de dizer, de contar histórias e de enxergar o mundo.

Repórter: Pedro Novaes
Fotógrafo: Thalis Ribeiro

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.


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