Jornalistas do Sudoeste se reúnem na Fligê para compartilhar experiências e refletir sobre o ofício da palavra

Encontro promovido pelo Sinjorba reuniu profissionais da região em uma manhã de diálogo sobre jornalismo, narrativa e os desafios de contar histórias

A palavra como instrumento de escuta, registro e transformação esteve no centro do 2º Encontro de Jornalistas do Sudoeste, realizado neste sábado (15), na Casa Azul, durante a programação da 9ª edição da Feira Literária de Mucugê (Fligê). Promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba), o encontro reuniu profissionais de diferentes cidades da região para compartilhar experiências e pensar sobre os caminhos do jornalismo contemporâneo.

Em meio à programação literária da Fligê, o encontro abriu espaço para olhar o jornalismo também como uma forma de narrar o mundo. Entre relatos de trajetória, experiências profissionais e reflexões sobre a profissão, a atividade aproximou jornalistas que atuam em diferentes territórios do Sudoeste baiano e compartilham o desafio cotidiano de transformar acontecimentos em histórias.

A segunda edição do encontro contou também com a participação do jornalista José Raimundo, um dos nomes mais reconhecidos do telejornalismo brasileiro. Com uma trajetória marcada pela cobertura de acontecimentos que atravessam a cultura, a política e a vida cotidiana do país, ele trouxe para a conversa experiências acumuladas ao longo de décadas de profissão e reflexões sobre o compromisso de quem trabalha com a palavra.

“Pra mim é sempre um prazer estar em Fligê, essa terra que eu gosto tanto e que admiro tanto”, disse José Raimundo, ao falar sobre sua relação com o evento. Para ele, é impossível dissociar o jornalismo da literatura: “não existe jornalismo sem a literatura”, afirmou, completando que ela é o que “ajuda a construir uma narrativa muito pessoal, muito sua, com muita identidade”.

Entre o público que acompanhava o encontro estava a jornalista Marcela Souza, da diretoria do Sinjorba. “A ideia do encontro é de realmente a gente fazer um processo de valorização e fortalecimento da nossa categoria”, explicou, ao comentar os anos de precarização enfrentados pela profissão. Segundo ela, o setor vem “sendo substituído por profissionais que não têm compromisso com a palavra, com a ética jornalística”. Sobre a presença de José Raimundo, Marcela destacou que ele representa “esse bom jornalismo, jornalismo literário, o jornalismo de pesquisa, de apuração, de sensibilidade”.

A presença do jornalismo na Fligê amplia o diálogo proposto pelo tema desta edição, “Literatura e múltiplas formas do dizer”. Se a literatura encontra diferentes maneiras de contar histórias, o jornalismo também constrói narrativas a partir da escuta, da observação e do encontro com o outro.

Nesse cruzamento entre literatura e jornalismo, a palavra aparece não apenas como ferramenta de comunicação, mas como forma de preservar memórias, registrar territórios e dar visibilidade às histórias que compõem a vida cotidiana.

A programação do sábado também contou com o Lançamento Coletivo de Jornalistas Escritores, reunindo diferentes vozes que transitam entre a prática jornalística e a criação literária.

Repórter: Kamile Cardoso

Fotógrafo: Thalis Ribeiro

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia


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