Fligê reúne autoras que transformam poesia e memória em livro

Nadja Nunes e Jealva Ávila lançam obras na Feira Literária de Mucugê e falam sobre o papel da leitura na formação de novos leitores 

Entre bancas cheias de livros e visitantes que folheavam capas antes de decidir por qual título começar, a escritora Nadja Nunes falou sobre o que a levou a escrever “Ainda tem poesia”. Autora também de “Livros das Infâncias na Bahia”, ela participa do evento com dupla função: como escritora e como fundadora da Tear Editora, casa que criou em 2018 para dar forma a livros de outras autoras.

Segundo Nadja, eventos como a Fligê cumprem um papel que vai além da venda de exemplares. “A primeira coisa que ele impacta é o acesso ao livro”, disse, acrescentando que a exposição abundante de títulos desperta em quem visita a feira a vontade de “pegar o livro, de olhar o livro”, um interesse que, segundo ela, não pode ser imposto, precisa nascer de dentro para fora.

O livro que a escritora leva à feira reúne 24 poemas escritos ao longo do tempo, sempre que ela via poesia nas coisas ao redor. O título nasceu de um dos textos “Ainda tem poesia”, frase que ela quis transformar em convite para relações mais leves e afetivas.

À frente da Tear desde 2018, Nadja conta que a editora nasceu de uma trajetória de mais de 30 anos ligada ao universo editorial. Ela também fundou a editora da Uneb, em 2006. Aposentada, decidiu continuar no ofício.

Também presente na conversa, Jealva Ávila, que lança pela Tear Editora o livro de contos “Sob as Estrelas”, relacionou sua paixão pela literatura às histórias em quadrinhos que lia na infância. Hoje, essa influência aparece nos livros ilustrados que produz, contos voltados para jovens e adultos. Para Ávila, “Sob as Estrelas” trata das relações humanas e das múltiplas realidades vividas em um único momento, e o formato do conto favorece justamente isso: uma leitura curta, mas que convida à reflexão.

Para ambas, feiras literárias como a Fligê têm um papel formativo também para quem não tem o hábito da leitura ou o perdeu ao longo da vida. Jealva lembrou que, num momento marcado pelo uso acelerado das telas, o livro funciona como contraponto: “Quando você pega um livro para ler, você desacelera a mente e mergulha numa história, dentro do ritmo da história e dentro do seu ritmo de leitura.” Para ela, essa desaceleração tem se tornado também uma questão de saúde mental e emocional.

Repórter: Kamile Cardoso (@kamilecardosos)

Fotógrafo: Igor Chaves (@1chaaves)

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia


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