Fligê abre 9ª edição celebrando a literatura em suas múltiplas formas de dizer

Cerimônia de abertura da 9ª Fligê reúne Governo da Bahia, Fundação Pedro Calmon e Prefeitura de Mucugê para celebrar a força das feiras literárias baianas, estado que concentra um terço dos eventos do tipo no país.

A palavra como memória, encontro e instrumento de transformação deu o tom da cerimônia de abertura da 9ª edição da Feira Literária de Mucugê (Fligê), realizada nesta quinta-feira (14). Com o tema “Literatura e múltiplas formas do dizer”, a feira reuniu representantes do município, do Governo da Bahia, da Fundação Pedro Calmon, escritores e agentes culturais para celebrar mais uma edição do evento, que já se tornou parte da identidade da cidade.

Na abertura, a curadora Ester Figueiredo levou o discurso para um lugar ainda mais íntimo: a relação entre a palavra escrita e as memórias construídas dentro de casa. Ao falar sobre a curadoria da Fligê desde a primeira edição, ela destacou a presença de palavras que atravessam gerações e chegam até a feira pelas histórias familiares e pela cultura popular.

“É muito bonito quando a gente vê um livro dentro de uma residência, porque isso representa uma biblioteca, isso representa uma biblioteca e uma memória”, afirmou Ester.

A curadora também ressaltou que por trás de cada edição existe uma construção coletiva, que envolve curadoria, produção, transporte, acolhimento e, principalmente, escritores e diferentes formas de autoria. Para ela, defender o livro também significa cuidar de quem escreve, seja na literatura, no cordel, na poesia ou nas manifestações da cultura popular.

Ester destacou ainda o desafio de ampliar o olhar da curadoria para além do livro impresso e reconhecer as histórias que também são escritas pelas ruas, pelas manifestações populares e pelas memórias de quem nem sempre teve acesso à palavra escrita. “O livro, ele não é só um livro impresso, ele é um livro que a gente carrega também nas memórias”, afirmou.

O presidente da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, chamou atenção para o crescimento das feiras literárias na Bahia e para a dimensão que esse movimento alcançou no estado. Segundo ele, um levantamento do Ministério da Cultura sobre feiras, festas e eventos literários no país mostrou que a Bahia reúne cerca de um terço das feiras literárias registradas em todo o Brasil.

Para Sandro, a expansão é resultado de uma política de incentivo ao livro e à literatura que tem levado os eventos para diferentes territórios baianos. “O que nós estamos produzindo a gente ainda não consegue quantificar, porque, nesse momento, fazer as feiras literárias é constituir a maior mobilização em torno do livro e da leitura na Bahia”, afirmou.

Somente no ano passado, segundo Sandro, o Governo da Bahia apoiou 101 feiras literárias em diferentes municípios, por meio de uma articulação entre órgãos e secretarias. Para ele, a Fligê está entre os eventos que ajudaram a inspirar essa expansão e contribuíram para transformar a literatura baiana em uma mobilização que ultrapassa os limites de cada cidade.

Representando a Secretaria da Educação do Estado da Bahia, o assessor especial do gabinete Manoel Calazans também destacou a expansão das feiras literárias pelo estado. Segundo ele, a Bahia passou de um cenário em que era possível contar nos dedos os eventos desse tipo para uma política que hoje alcança diversos municípios.

“Uma das coisas que nós, educadores e educadoras, perseguimos é a formação de um estudante leitor”, afirmou. Para Manoel, o contato com escritores e livros durante as feiras literárias contribui diretamente para aproximar os estudantes da leitura. Ele também citou iniciativas que permitem aos alunos adquirir livros durante eventos como bienais e feiras literárias.

A secretária municipal de Educação e Esportes de Mucugê, Rosane Chaves, destacou a relação construída entre a feira e o município ao longo dos anos. Para ela, a realização da Fligê deixa frutos que permanecem para além dos dias de programação. Rosane também agradeceu à curadora Ester Figueiredo pela escolha de Mucugê como sede da feira e ressaltou a ligação da curadora com a cidade. Ao falar sobre o futuro do evento, lembrou que a próxima edição marcará os dez anos da Fligê. “Vida longa à nossa Fligê”, desejou.

Também representando o município, o vice-prefeito Leandro Cunha destacou o poder transformador do conhecimento e desejou que os quatro dias de programação fossem marcados por encontros, conversas, aprendizados e arte.

Repórter: Kamile Cardoso

Fotógrafo: Lua Ife

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia

 


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