Alunos de mais de 15 cidades da Chapada Diamantina apresentam música, teatro, dança e projetos científicos desenvolvidos ao longo do ano nas escolas estaduais
Entre um cortejo pelo Centro Histórico e uma apresentação de quadrilha, entre um poema declamado e uma pesquisa científica exposta em banner, a Fligê 2026 ganhou um outro tipo de multidão: a dos estudantes de escolas da rede estadual de ensino. Ao longo da programação, cerca de mil alunos de 14 escolas estaduais, vindos de mais de 15 municípios da região, ocuparam o Tablado Literário, a Tenda Literária para mostrar o que produziram durante o ano letivo dentro dos Projetos Estruturantes da Secretaria de Educação da Bahia. Para muitos deles, era a primeira vez diante do público de uma feira literária.
Articuladora dos projetos do Núcleo Territorial de Educação 03, Nayara Chaves acompanhou de perto a movimentação na tenda que recebeu estudantes do início ao fim da feira. Ela explica que as apresentações reunidas no espaço fazem parte dos projetos estruturantes da rede estadual, iniciativas que trabalham diferentes linguagens artísticas para que o estudante possa se expressar e se formar enquanto pessoa, e destaca que a programação também abriu espaço para projetos de iniciação científica desenvolvidos nas escolas, alguns já premiados em eventos nacionais e internacionais. “Eu acredito que, nesse momento, para que os estudantes possam compartilhar suas produções artísticas, é fundamental para a formação deles enquanto ser humano mesmo”, diz.
A professora de língua portuguesa Gabriella Santana, do Colégio Estadual de Tempo Integral Eudirice Santana, em Marcionílio Souza, reforça a importância desse espaço sob outro ângulo. Para ela, levar os estudantes à feira é dar reconhecimento a um trabalho construído ao longo de todo o ano dentro da escola, feito muitas vezes na primeira oportunidade que eles têm de vivenciar uma festa literária de grande porte.
Gabriella cita um exemplo concreto do que os estudantes de sua escola apresentaram na Fligê: um projeto científico de produção de creatina a partir da tilápia, peixe típico da região, que já está em busca de recursos para ser levado a outros estados. “Esse palco mostra como os estudantes da escola pública conseguem produzir coisas bonitas, criativas, projetos científicos inovadores”, diz.
Entre os estudantes que subiram ao palco estava Raiane Almeida, 16 anos, aluna do segundo ano do ensino médio, que apresentou a música autoral “Quase Amor”, sua segunda composição depois de anos escrevendo poemas que, aos poucos, se transformaram em letras. A estreia na Fligê trouxe um misto de nervosismo e empolgação. “Foi um pouco nervoso, porque é a primeira vez, mas eu não fiquei tão agitada, porque eu levo tudo na base da empolgação, uma experiência nova”, diz.
A cidade de Bonito, na Chapada Diamantina, também levou seus estudantes à Fligê, representados pelo Colégio Estadual de Tempo Integral de Bonito. Para o diretor Rubem Figueredo, a presença da escola no evento é reflexo de uma aposta da Secretaria de Educação em espaços que valorizam o que os estudantes já sabem fazer, permitindo que eles se expressem e aprendam uns com os outros. “Saber que existe um espaço como esse, um espaço para que os estudantes demonstrem o seu protagonismo, é muito satisfatório”, diz.
A presença do NTE 03 na Fligê 2026 reúne produções de nove Projetos Estruturantes da Secretaria de Educação da Bahia, que atravessam todas as unidades escolares estaduais e levam à feira, todos os anos, trabalhos de literatura, música, dança, teatro, artes visuais, educação patrimonial e iniciação científica construídos ao longo do ano letivo. Entre o palco e a tenda de exposições, entre a primeira música e o projeto científico já premiado internacionalmente, o NTE 03 confirmou, mais uma vez, o espaço que a escola pública estadual conquistou dentro da Fligê: não apenas o de plateia, mas o de autoria.
Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.
O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.
Texto: Samara Dias
Fotos: Igor Novaes






