Fruto de uma pesquisa de alunos com os moradores mais velhos da cidade, publicação do Selo Fligê / ALBA Cultural celebra a memória viva, a tradição oral e a literatura em Mucugê
Em um encontro marcado pelo resgate da ancestralidade, pela valorização da escola e pela celebração da palavra dita e escrita, a Fligê sediou o lançamento do livro Cartografias Afetivas, organizado pelo professor Marcos George Paraguassu. Publicada pelo Selo Fligê / ALBA Cultural, a obra reúne a produção de estudantes do município e coroou um dos momentos mais marcantes do circuito literário na Chapada Diamantina.
A mesa especial de lançamento colocou em diálogo a curadora da Fligê, Ester Figueiredo; o organizador da obra, Marcos Paraguassu; a cientista política da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Simôa Borba; a professora e curadora da Feira Literária da Ilha de Boipeba (Flipeba), Catita; e o curador da Feira Literária Internacional de Canudos (Flican), Luiz Paulo Neiva, sob mediação de Elton Becker.
Ao abrir a mesa especial de lançamento, Ester Figueiredo ressaltou a dimensão integradora do festival e o papel das parcerias institucionais para fazer a literatura circular por diferentes territórios baianos. “A Fligê percorre caminhos que se desdobram e inspiram toda a Bahia. Não pensamos nesses encontros apenas como eventos de quatro ou cinco dias, mas como uma continuidade, um processo formativo e literário permanente”, afirmou Ester.
Fruto de uma ampla pesquisa de campo que mobilizou escolas municipais, estaduais e privadas de Mucugê, o livro Cartografias Afetivas desafiou crianças e jovens a escutarem as gerações mais velhas. O resultado é um acervo vivo de cantigas de roda, receitas tradicionais e contos populares que até então viviam apenas na memória oral da região.
“A importância é fazer com que os jovens aprendam que o nosso futuro depende da nossa história, do que foi escrito pelos nossos antepassados. Quando o ser humano conhece a sua própria história, ele consegue construir um futuro mais elaborado. Ao sentar com os avós e com os vizinhos mais velhos para ouvir as histórias, os estudantes se sentiram parte da própria comunidade e trouxeram isso para debater em sala de aula”, destacou o organizador.
A publicação reforça uma política pública contínua de democratização do livro na Bahia, celebrando sete anos de parceria ininterrupta entre a ALBA Cultural e a Fligê.
Para além do lançamento, o encontro evidenciou a força da Feira Literária de Mucugê como polo gerador e inspirador de outras festas literárias pelo estado. A professora Catita apresentou a experiência da Feira Literária de Boipeba (Flipeba), que envolve filhos de pescadores, marisqueiras e quilombolas no registro de suas vivências e realiza sua 5ª edição entre os dias 4 e 6 de setembro. Já o professor Luiz Paulo Neiva relembrou o impacto da Feira Literária Internacional de Canudos (Flican), destacando que a centralidade da escola pública na Flican foi um aprendizado direto absorvido em Mucugê.
Ao final do evento, entre livros distribuídos e abraços trocados, ficou a certeza de que resgatar a história dos mais velhos e entregá-la às mãos dos jovens é o caminho mais bonito para garantir que a cultura do interior continue a escrever o seu próprio futuro.
Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.
O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.
Repórter: Carol França
Fotógrafa: Lua Ife










