Choro Labuta lota a praça em noite de clarinete, cavaquinho e composições da Chapada na Fligê

Foi o clarinete que abriu a noite, deslizando entre as pessoas antes mesmo de qualquer palavra ser dita. A melodia percorreu a multidão reunida no Tablado Literário nesta sexta-feira (14), para o show do grupo Choro Labuta na Feira Literária de Mucugê (Fligê), e encontrou um público já rendido. Crianças e adultos ouviam com os olhos presos no palco, alguns já se movendo no ritmo antes mesmo de perceber. A banda emendou com “Jaca de Pobre”, chorinho autoral que arrancou aplausos calorosos da plateia.

No palco, Gustavo Rocha, no cavaquinho; Bruno Lavorini, no violão; Zé Luís, no pandeiro; e Erick Jaques dividiram o repertório sob a regência de Marcel Jarques, maestro da Filarmônica 23 de Setembro. Em conversa após o show, Marcel explicou a origem de boa parte das composições autorais que embalaram a apresentação: fazem parte do projeto Chorões da Chapada, que reúne nove chorinhos compostos por autores da região. “Tem o meu chorinho, tem o chorinho de Gustavo, tem o chorinho de várias outras pessoas”, contou.

Segundo o maestro, o show foi pensado como um encontro entre gerações da música instrumental, um diálogo entre quem veio antes e quem compõe agora sob o mesmo céu da Chapada. “A gente divide esse show muito nos clássicos de Pixinguinha”, disse, mencionando também influências nordestinas na seleção do repertório. “A gente divide buscando trazer os antigos autores e trazendo essa nova vertente também, que são os compositores aqui da Chapada Diamantina.”

Para Marcel, participar de um evento como a Fligê tem um significado especial para Mucugê. “É muito importante pra nós, e pra toda a comunidade mucugense, um evento tão grandioso como esse. Além de estar fomentando a cultura em várias vertentes, tanto na música como na literatura, no teatro, muitas apresentações. Realmente é um evento muito abrangente em todas as áreas, a gente fica muito feliz de estar aqui”, afirmou.

A praça lotada, com crianças dançando livremente entre os adultos, parecia respirar no mesmo compasso do clarinete, e foi essa entrega coletiva que mais emocionou o maestro. Ele credita o encantamento do público à tradição musical que a cidade vem cultivando com os mais jovens, semente plantada com a paciência de quem sabe que música também ensina afeto. “Mucugê, na verdade, tem esse diferencial, temos a Filarmônica 23 de Setembro, que trabalha com bastante jovens. Tem outros projetos aqui na cidade que trabalham com música, projetos da prefeitura, como o Coral da Dona Lília e tudo mais”, disse. “É muito, muito gratificante ver esse público vibrando dessa forma.”

Entre os presentes, deslumbrados como tantos outros, estava Mel, moradora de Mucugê, estudante do Setim e aluna de Marcel na filarmônica. Para ela, acompanhar o show ao vivo teve um gosto especial de aprendizado, como ver de perto um segredo que só se aprende observando de perto. “É uma honra poder aprender um pouco com ele, e o show tá sendo maravilhoso!”, celebrou.

Repórter: Kamile Cardoso

Fotógrafo:  Caetano Argôlo

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia


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