Lançamentos e Encontro na Tenda Literária e na Casa Azul destacaram a produção de mulheres e revelaram histórias que atravessam suas obras
A literatura ganhou diferentes formas de expressão na nona edição da Feira Literária de Mucugê e os espaços foram ocupados por vozes repletas de representatividade. Na tarde de sexta-feira (14), a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – seção Bahia – reuniu escritoras e jornalistas para um lançamento coletivo na Tenda Literária. No sábado (15), a associação promoveu os Diálogos Literários, na Casa Azul, em um encontro marcado por histórias de vida, emoção, acolhimento e reflexões sobre a educação e a literatura como caminhos de transformação.
O lançamento coletivo reuniu obras de diferentes gêneros e temáticas, mostrando a diversidade da produção das mais de 100 escritoras que integram a AJEB-BA. Poesia, literatura infantil, inclusão e outras categorias literárias estiveram presentes no encontro, que também representou um marco para a associação, que há três anos atua na Bahia. A AJEB existe no Brasil desde 1970 e, atualmente, reúne mais de 800 escritoras em todo o país. Para Lisias Azevedo, presidente da seccional Bahia, ocupar um espaço na feira representa uma oportunidade de fortalecer a presença das escritoras baianas no cenário literário.
“Para nós, ocupar espaços na Bahia com mais de 100 escritoras associadas e estar na Fligê, que é pra mim uma grande vitrine para os escritores e as escritoras, para que todos possam ter acesso e poder mostrar a importância de ser, de se lançar como escritor baiano, é um marco na nossa história”, destacou.
Na Casa Azul, a tarde de sábado foi marcada pelos Diálogos Literários da AJEB, em uma sala repleta de mulheres que vibravam, com aplausos e abraços, pelo sucesso umas das outras. O encontro aproximou escritoras de diferentes trajetórias e evidenciou como a educação e as experiências vividas podem se transformar em matéria-prima para a literatura. As histórias compartilhadas também revelaram a presença de mulheres negras ocupando espaços que, durante muito tempo, não eram imaginados para elas.
As obras apresentadas evidenciaram diferentes perspectivas e experiências, incluindo trabalhos que abordam questões sociais e a valorização das mulheres. Entre elas estava “A Flor que Chora”, livro de poesias de Vânia Santos que aborda a violência de gênero. Para a autora, que está iniciando sua trajetória literária, a participação na feira representa a possibilidade de concretizar e apresentar sua palavra. “Uma feira literária como a Fligê, de tamanha relevância, abrir esse espaço oportuniza que escritoras como eu, que estou iniciando, tenham um espaço para poder lançar o meu livro, para poder apresentar a minha obra”, contou.
A escritora Lúcia Matos emocionou o público ao falar sobre sua trajetória e sobre a influência da mãe, Isaura, em sua formação. Viúva e responsável por sustentar dez filhos, a mãe ensinou aos filhos a importância dos estudos e da autonomia. “Ela sempre mostrou pra gente assim que a gente tinha que ir lá, estude, vá, seja alguém. Não deixe que ninguém venha rebaixar você”, relembrou Lúcia. Ao recordar a mãe, a escritora se emocionou e fez uma retrospectiva de tudo o que viveu. A emoção, segundo ela, não representa uma ferida aberta, mas o reconhecimento de uma história que ajudou a formar quem ela é e, consequentemente, sua literatura.
A força dessas narrativas também foi destacada por Lisias Azevedo ao avaliar o encontro. Para ela, a mesa realizada na Casa Azul mostrou a importância da literatura como ferramenta para revelar a força das mulheres e do conhecimento. “Hoje, essa mesa aqui na Casa Azul, nos trouxe histórias de vida que muito nos emocionou. Ficou nítida a importância da literatura como ferramenta para mostrar a força da mulher, a força dos conhecimentos, do estudo, que acima de tudo é o que mais foi frisado aqui”, afirmou.
Repórter: Pedro Novaes
Fotógrafo: Thalis Ribeiro
Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.
O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.















