Geisiane Oliveira, André Oliveira e Dão Machado levaram diferentes repertórios e trajetórias ao espaço que estreou na nona edição da Feira Literária de Mucugê
A música local deu o tom do encerramento da programação do Tablado Literário, novo espaço que estreou na nona edição da Feira Literária de Mucugê com apresentações musicais e artísticas locais e de estudantes da região. Na tarde de domingo (16), Geisiane Oliveira, André Oliveira e Dão Machado, artistas mucugeenses, ocuparam o palco e animaram o público que ocupou o jardim da Praça das Lanternas em busca de música e afago para a saudade da Fligê que já começava a surgir nos olhares e nos corações.
A primeira a subir ao palco foi Geisiane Oliveira. A cantora abriu a apresentação com “Amado”, sucesso de Vanessa da Mata, e passeou por diferentes clássicos da música popular brasileira. O repertório logo conquistou o público e não demorou para que as pessoas deixassem seus lugares e se aproximassem do palco para sambar e cantar junto com a cantora. No embalo da apresentação, Geisiane chegou a tirar os saltos e continuou a cantar descalça, entregue à energia da praça.
“Foi assim, arrepiante, sabe? A energia do povo é muito gostosa mesmo, um som maravilhoso. Amei!”, contou a cantora ao relembrar a apresentação. Para ela, a aproximação entre música e literatura faz parte de um mesmo universo cultural. “Tem tudo a ver, né? A cultura, a literatura, a música… É um conjunto”, afirmou.
A escolha do repertório também foi uma forma de homenagear referências da artista. Além de Vanessa da Mata, Geisiane incluiu no show canções de Ana Carolina. “Como é cultural, eu quis trazer Vanessa da Mata, que é uma referência muito grande para mim. O ano passado ela cantou aqui e eu fiquei no show dela encantada”, relatou.
Depois, foi a vez de André Oliveira, que chegou ao palco acompanhado do filho, Felipe Oliveira, na percussão. Antes mesmo de iniciar a apresentação, o cantor fez questão de agradecer a presença do filho e destacou que, sem ele, aquele momento não seria possível. A apresentação começou com uma lembrança especial. O artista cantou o tema do episódio sobre Mucugê e a Chapada Diamantina do Globo Ecologia em 1996, de sua autoria. Com destaque para o verso “mas ainda temos tempo, vamos preservar, se a natureza é um sonho, não vamos deixar esse sonho acabar” que arrancou aplausos do público.
Em seguida, André apresentou canções de sua trajetória e de sua banda, Cidade Liberal, em um repertório profundamente ligado à cidade onde nasceu e cresceu. Suas canções retratam o cenário exuberante de Mucugê e as passagens de sua infância e adolescência. Naquele domingo, porém, o próprio lugar onde o show acontecia também se transformou em parte da memória do artista. André lembrou que o jardim da Praça das Lanternas, onde estava instalado o Tablado Literário, foi justamente o espaço onde fez suas primeiras composições. “É um direito que eu tenho de cantar minha Chapada e minha Mucugê”, celebrou.
“Passa um filme na cabeça da gente. É difícil segurar a emoção porque é uma uma coisa muito boa”, contou André após o show. Para ele, estar diante daquele jardim e daquele público fez a apresentação assumir um significado especial. “A gente poder trazer nossas canções pra cá, pra terra, e poder cantar aqui de frente a esse jardim, com esse público composto principalmente por gente daqui é muito especial”, disse André.
O encontro com o palco também marcou um novo capítulo na trajetória de André, que atualmente segue em uma caminhada mais solo. Ao seu lado, Felipe começa a trilhar os primeiros passos na música. “Meu pai, eu quero continuar com o senhor”, contou o artista sobre o convite feito pelo filho para integrar o momento.
Encerrando a programação musical do Tablado Literário, Dão Machado viveu um momento diferente com sua estreia em um palco diante do público. O artista, acostumado a cantar na igreja ao lado da família, apresentou um repertório diversificado, passando pela música popular brasileira, serestas, sertanejo e sucessos de outras décadas. Entre as escolhas, apareceram canções de Raul Seixas e Zé Ramalho.
Apesar da insegurança inicial, Dão terminou a apresentação com a sensação de dever cumprido. “Eu confesso que senti um pouquinho meio inseguro. Mas, graças a Deus, correu tudo bem”, contou. O repertório foi construído coletivamente, a partir das músicas que o grupo já ensaiava e de outras que fazem parte das preferências do cantor.
Para Dão, a oportunidade oferecida pela Fligê aos artistas locais também representa incentivo à cultura e à juventude de Mucugê. “É bom pra juventude, é bom pra cidade também, ter a cultura como incentivo”, afirmou.
Ao reunir três artistas com trajetórias distintas, o Tablado Literário encerrou sua programação musical celebrando aquilo que também dá sentido à própria Feira, que é a cultura como espaço de encontro e celebração da arte, uma das múltiplas linguagens da literatura celebradas em 2026 na feira.
Repórter: Pedro Novaes
Fotos: Igor Chaves, Thalis Ribeiro e Thiago Gama
Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.
O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.












