Jackson Costa e “Giramundo” semeiam poesia e música na Fligê

Com versos musicados e uma performance envolvente, o artista promoveu ao público uma experiência poética e imersiva na literatura e suas múltiplas formas do dizer

“A praça é do povo como o céu é do condor”. Os versos de Castro Alves, escritos em “O povo ao poder”, parecem encontrar na Praça dos Garimpeiros, em Mucugê, um lugar para continuar ecoando. Na noite de sábado (15), o espaço, que ao longo da Feira Literária de Mucugê se transformou em território de encontro, expressão e liberdade, recebeu o espetáculo “Giramundo”, de Jackson Costa. Entre poemas, músicas e interpretações, a apresentação reafirmou a arte como uma das múltiplas formas de dizer e viver a literatura.

O show nem tinha começado e a Praça dos Garimpeiros já estava lotada. Jackson Costa ainda passava o som quando o público começou a se formar e foram as próprias pessoas que ajudaram nos últimos ajustes. Pouco depois, o cantor subiu ao palco acompanhado dos músicos Tom Costa, seu filho, no violão, e Sidney Argolo, na percussão.

Os versos musicados logo envolveram o público. Com poemas e canções, Jackson conduziu a plateia por diferentes paisagens da literatura, fazendo dos poemas momentos de encontro entre ele, no palco, e quem ocupava a praça. Como nos versos de “Mar Português”, de Fernando Pessoa, que ganharam forma na voz do artista e, quando chegou a hora de “tudo vale a pena se a alma não é pequena”, foi o público quem completou.

Eram poemas que prendiam olhos e ouvidos. A performance de Jackson Costa, marcada pela força da interpretação, criava uma relação quase mágica com o palco. Em simbiose com o espaço, o artista parecia se sentir em casa e, entre um verso e outro, metaforicamente convidava o público para um café. Uma aproximação que fazia da apresentação não apenas um espetáculo, mas também uma conversa.

A relação com as feiras literárias está na própria origem de “Giramundo”. Segundo Jackson, o espetáculo nasceu a convite do poeta e escritor Waldeck de Oliveira, durante a primeira feira literária de Itapetinga. A proposta era que o artista criasse uma apresentação especialmente para o evento. Foi quando Jackson convidou o filho, Tom Costa, e o percussionista Sidney Argolo para construir o trabalho.

“Eu sou ator há 42 anos, eu comecei a voltar pra minha origem”, contou. A partir desse retorno, o artista passou a reunir poemas, músicas e referências que atravessam sua trajetória artística, criando um espetáculo que circula por diferentes tempos e linguagens.

Para Jackson, apresentar poesia em uma feira literária é também uma forma de semear. “Quando eu tô dizendo poemas, eu tô semeando”, afirmou. O artista compara esse gesto ao ato de lançar palavras em um terreno fértil, formado por pessoas que chegam às feiras “com sede e com fome de literatura, de arte, de poesia, de encantamento, de belezas”.

Esta foi a terceira participação de Jackson Costa na Feira Literária de Mucugê. O artista, que circula por diversas feiras literárias pela Bahia, destacou a particularidade da Fligê e o acolhimento encontrado em Mucugê. Para ele, passar o som diante de uma praça já ocupada pelo público aumenta ainda mais o desejo de fazer o melhor.

“Essa feira literária, ela é muito especial”, afirmou. Jackson também ressaltou o trabalho da idealizadora e curadora Ester Figueirêdo e da equipe responsável pela realização do evento, destacando a presença e a atuação das mulheres na construção da feira. Ao final, Jackson Costa falou sobre a importância das feiras literárias como espaços de encontro com a literatura e com a arte. 

Repórter: Pedro Novaes
Fotógrafo: Igor Chaves

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.


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