A representatividade feminina se enriquece com três vozes potentes da cidade de Mucugê. Rízia Freitas, Maria Eduarda e Marina Mattos, subiram ao palco do tablado literário para o show “Vozes Femininas” na Fligê, na quinta-feira (14).
O trio foi uma composição especial para a apresentação na feira, a junção foi uma ideia do curador adjunto da Fligê, Marcos Paraguassu. “São três cantoras que vieram do Sarau Diamantina, que era um grupo que nós tínhamos, com teatro, música, poesia. E aí, resolveram se juntar para fazer homenagem às mulheres”, explica.
Durante a apresentação, as artistas trouxeram repertórios com músicas voltadas a resistência feminina, valorização da mulher e priorizaram a música popular brasileira. A apresentação mesclou música e palavra, com declamação de poemas. A música de abertura do show foi a canção “Povoada”, de Sued Nunes, onde as cantoras reafirmam que nessa terra, elas não andam só.
Para Rízia Freitas, fazer esse show é mostrar que a mulher tem força e que não pode ser anulada. “Estamos no agosto lilás, contra o feminicídio, contra qualquer tipo de violência, contra a mulher. A mulher deve ser justamente reverenciada. Como símbolo de amor, importante em toda a sociedade”, completa.
Nas lutas e desafios vivenciado pelas mulheres, a voz e o canto surgem como uma arma contra o machismo. Maria Eduarda compartilha que a junção do trio reafirma a frase que diz “lugar de mulher é onde ela quiser” e que essa perfomance pode inspirar outras mulheres. “Cada olhar, cada palma e cada grito do pessoal nos deixaram bem recebidas” relata sobre a participação.
Tarde ensolarada, praça cheia, sol quente e movimento dos passantes, essa era a atmosfera do show. Durante as músicas “Loba” de Alcione, e “Triste, Louca ou Má” de Francisco, El Hombre, Marina Mattos teve seus cabelos flutuados pelo vento. O calor queimando levemente sua pele e a energia do público, fizeram a artista se arrepiar. “A gente mostra que a luta contra o machismo é uma coisa que já vem de muito tempo, mas que ainda perdura muito, temos muito o que lutar”, desabafa.
Agosto Lilás
A Fligê 2026 ocorre no mesmo mês da campanha de luta pelo fim da violência doméstica e familiar contra a mulher. Agosto se tornou palco para resistir, pois comemora a existência da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), sancionada em 7 de agosto de 2006.
Esse trio feminino empoderado foi aplaudido por dezenas de pessoas. Essas que cantaram, dançaram e se emocionaram junto. Elas reforçam que vozes femininas são poderosas e que literatura também é essencial para as mulheres e suas múltiplas formas do dizer.
Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.
O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.






