Da Notícia à Literatura: Fligê acolhe lançamento coletivo de Jornalistas Escritores

Parceria entre a Fligê e o Sinjorba reuniu autores no Estande Coletivos Literários, dando visibilidade e voz a obras independentes que transitam da poesia ao romance histórico.

O Estande Coletivos Literários, instalado na Tenda Literária da Feira Literária de Mucugê (Fligê), foi palco, na tarde deste sábado, dos “Lançamentos coletivos de jornalistas escritores”. O encontro reuniu profissionais da imprensa que transitaram do registro factual para a criação autoral, apresentando suas obras independentes ao público.

A ação é fruto de uma parceria estratégica entre a comissão organizadora da Fligê e o Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba). A iniciativa busca conferir visibilidade e protagonismo aos comunicadores que também atuam como autores independentes, abrindo espaço para que suas produções literárias alcancem novos públicos, para além da rotina das redações e assessorias.

A professora, jornalista e escritora Vânia Santos marcou presença com o livro de poesias A Flor que Chora. A obra traz um recorte de gênero centrado na denúncia da violência contra a mulher, no desenvolvimento da conscientização e no acolhimento às vítimas. Em sua primeira participação na feira, a autora celebrou a oportunidade de difundir a literatura engajada no evento, destacando o espaço cedido como fundamental para que obras independentes ganhem projeção em uma celebração renomada.

Estreando na Fligê, a jornalista e escritora soteropolitana Jaqueline Adans apresentou seu primeiro livro solo de poemas, Ficção de Livro e Suspiros. Dedicado a temas afetivos e a poesias sensoriais sobre o amor, o título tem alcançado expressiva identificação com o público feminino. Para a autora, a abertura das feiras literárias a autores independentes é uma conquista valiosa, especialmente para a divulgação da poesia, gênero que enfrenta desafios específicos no mercado editorial.

O jornalista, escritor e secretário de Cultura e Turismo de Jequié, Domingos Ailton, levou ao estande o romance histórico Antônio Burokô. Baseada em fatos reais ocorridos na década de 1940, a narrativa retrata a resistência de um pai de santo à perseguição policial contra os terreiros de candomblé e manifestações culturais na Bahia. O autor ressaltou a importância de feiras como a Fligê para criar um intercâmbio direto entre leitores e obras independentes produzidas fora do circuito das grandes editoras.

A jornalista freelancer e sommelier Simone Caetano lançou a segunda edição de A voz de Armandinho Macedo, livro-reportagem que resgata a trajetória do virtuoso músico desde sua infância no trio elétrico até a carreira solo. Autora também das obras Versos e Universos e da antologia Amor nos diversos formatos, a escritora elogiou a organização do evento e pontuou como o acesso proporcionado pela feira é determinante para dar palco e visibilidade a trabalhos fruto de intensa pesquisa jornalística.

A jornalista Joana D’Arck lançou Feito Íntimo, seu terceiro livro de poesias, prefaciado por Ester Figueiredo e editado pelo Studio Palma. Autora de obras anteriores dedicadas às memórias familiares e urbanas (Vida que segue), ela revelou que foi o ambiente inclusivo da própria feira que a encorajou a assumir a veia de escritora, exaltando o papel do evento em promover a integração entre diferentes linguagens artísticas.

Com 18 anos de experiência no jornalismo, Flávia Vasconcelos apresentou a obra Antônimos, reunião de histórias de vida de artistas residentes em bairros populares de Salvador para desmistificar o estigma de violência dessas comunidades. A autora reforçou a relevância social da feira no incentivo à leitura em uma era dominada pelas telas, comemorando a oportunidade oferecida aos profissionais da informação para veicularem seus projetos literários autorais.

A jornalista e empresária Fernanda Carvalho apresentou a coletânea de crônicas Entre Bolhas e Marés, derivada de publicações no jornal Correio sobre as inquietações, dores e vivências da mulher contemporânea. Autora também da biografia À Luz da Maternidade, Fernanda refletiu sobre a complexidade de conquistar a própria voz autoral para além da escrita sobre o outro, parabenizando a iniciativa por aproximar escritores e leitores e mostrar que todas as trajetórias humanas possuem força narrativa.

Vinda de Entre Rios, a escritora e jornalista Anne Argolo lançou o livro infantil e inclusivo A menina que pensava em cores, desdobramento de uma obra em poesia inspirada em uma aluna de seu projeto social esportivo. Participando do evento pela segunda vez, a autora enfatizou que estar no estande coletivo serve como um portfólio essencial para a consolidação e a sobrevivência de escritores independentes no cenário cultural.

Ao longo do Estande, os participantes foram unânimes em expressar gratidão ao Sinjorba pelo apoio institucional e pela abertura desse canal de divulgação para a categoria. Com essa parceria, tanto a Fligê quanto o sindicato cumprem de forma exemplar o seu papel social, democratizando o acesso e escancarando as portas da literatura para aqueles que se dedicam a pensar e escrever o mundo.

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021. 

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.

Repórter: Carol França

Fotógrafo: Igor Chaves


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