Lançamentos na Fligê 2026 destacam obras independentes sobre feminismo e diversidade

Na tarde desta sexta-feira (14), a 9ª Feira Literária de Mucugê (Fligê) sediou duas mesas de lançamento e sessões de autógrafos, com autores dedicados a debater pautas feministas e de diversidade em suas obras. Os encontros ocorreram no Espaço Lançamentos – Livros D’Falas e D’ Versos, reunindo onze autores do mercado editorial independente para sessões de autógrafos e discussões focadas em temas como maternidade atípica, neurodivergência, ancestralidade afro-brasileira e novas estruturas familiares.

A primeira sessão concentrou-se na literatura escrita por mulheres e nas múltiplas vivências femininas. A autora Clarice Tardio apresentou “TEAr, Múltiplas Formas de Existir”, coletânea de contos e crônicas escritos por pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA)  na fase adulta, que escreveram sobre os seus desafios e histórias. Dialogando diretamente com a questão do cuidado sistêmico, Glória Anjos lançou “Maternidade Atípica: Trabalho, Cuidado e os Bastidores que o Mundo Não Vê”, um relato focado na sobrecarga e na invisibilidade de mães que criam filhos com deficiência ou condições neurodivergentes.

A mesa contou ainda com a obra de Gésia Cássia Lima, que em “NOCA – e outras histórias que muitas mulheres carregam”, expõe os traumas geracionais e o silenciamento histórico do gênero. O evento foi completado por Cleo Xavier, com o livro “Outonal”, que propõe uma reflexão sobre a maturidade e o envelhecimento feminino; e Iracema Vasconcelos, que assina “Se não é bênção é lição”, obra centrada na resiliência da mulher perante as adversidades cotidianas.

Esteve presente nesta sessão Geane Dea, colaboradora da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia, que fortaleceu o debate, expondo as ações que a pasta tem realizado, como a Caravana de Justiça e Direitos Humanos, que também está presente na Fligê 2026. Este é um programa itinerante que leva serviços gratuitos de cidadania, documentação básica e acesso à justiça a vários municípios e comunidades tradicionais do estado.

Na sequência, a programação seguiu com a mesa focada em pautas de diversidade. O escritor Mateus de Amorim Gouvêa apresentou “Guilherme, A Internet e O Baobá”, uma narrativa que analisa o contraste e a intersecção entre o impacto da tecnologia digital na juventude e a necessidade de preservação da ancestralidade africana.

A sessão também abriu espaço para o debate sobre novas dinâmicas parentais com Carlos Alberto Assunção, autor de Três Irmãos e Uma Mãe. Os autores Caio Araújo (O Empate), Alisson de Souza (Augustina) e Priscilla Bacellar (Trevos do Destino) completaram a grade de lançamentos da tarde, apresentando trabalhos que ampliam a representatividade LGBTQIAPN+ na literatura brasileira contemporânea.

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.

Texto e fotos: Caetano Argôlo


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