Chico César abre a programação musical da Fligê 2026 com poesia, música e muito afeto

Em sua terceira participação na Fligê, cantor e compositor reuniu sucessos de sua trajetória, celebrou a cultura nordestina e conduziu uma plateia de todas as idades por uma noite de encontros e emoção

A Praça dos Garimpeiros ficou lotada na noite desta quinta-feira (13) para receber Chico César na nona edição da Feira Literária de Mucugê. O cantor e compositor subiu ao palco por volta das 21h40, usando óculos iluminados e luvas com lasers que iluminaram a praça escura, revelando a multidão ansiosa que o esperava. Chico escolheu a canção “Béradêro” para abrir o espetáculo a capela.

A voz do cantor ecoou pelos quatro cantos de Mucugê, e os acordes de seu violão deram forma ao show “Aos Vivos”, que reuniu diversos sucessos autorais e de grandes nomes da música, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Geraldo Azevedo e André Abujamra.

Na plateia, olhos e ouvidos atentos captavam a poesia das letras, a beleza das harmonias e a ternura da voz do artista. O público, de todas as idades, ajudava Chico a entoar sucessos que atravessaram gerações e têm um lugar afetivo nas playlists de inúmeros brasileiros. No cantinho do palco, o pequeno Bento, de dois aninhos, acompanhou o show ao lado do pai e de sua mãe, a jornalista Jadia Filadelfo.

Bento aguardou até o fim do espetáculo para escutar sua música favorita, o clássico “Deus me proteja”. Sua mãe conta que eles sempre escutam em casa grandes nomes da música baiana, nordestina e brasileira e não esconde a felicidade em oportunizar ao filho, desde cedo, experiências culturais. “Desde bebê, Bento escuta essas canções e vai crescer com essas memórias, pedindo para ouvir e cantando junto sempre que tiver oportunidade”, relatou a jornalista.

Foi com “Mama África” que o grande coro mostrou a Chico que, apesar de só, sua voz não seria a única na praça. Em “À Primeira Vista”, um mar de mãos tomou conta da praça. Entre uma canção e outra, o cantor contou histórias, conversou com o público e mostrou a grandiosidade de um artista que não apresenta apenas um repertório, mas conduz a plateia pela experiência de um show.

Após, vieram sucessos como “A Prosa Impúrpura do Caicó”, “Saharienne”, “Mulher Eu Sei”, com divisão de vozes entre homens e mulheres, e “Templo”, canção apreciada pelo público com os olhos de contemplação que Chico menciona na composição.

Um dos momentos mais especiais e emocionantes do show foi quando Chico interpretou “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Antes de cantar, afirmou que a música diz “o que é ser nordestino” e mencionou a importância de se combater a xenofobia ao dizer que qualquer pessoa pode estar em qualquer lugar que desejar no mundo.

A noite ainda ganhou participações especiais na parte do espetáculo que o artista chamou de “Bis”. Chico recebeu Ana Barroso para cantar “Em estado de poesia”. A cantora se apresenta na Fligê nesta sexta-feira (14), e o encontro dos dois encantou a plateia. Depois, chamou ao palco a cantora Mariene de Castro e o pequeno sanfoneiro Kairú, de apenas nove anos, para dividir “Deus me proteja”.

Após deixar o palco, os gritos do público fizeram Chico voltar para mais dez minutos de apresentação. A praça, que já havia dançado e se encantado com o artista, ganhou mais um momento de apreciação do espetáculo. Chico César encerrou sua terceira participação na Fligê atestando que, se mil vezes voltar, mil performances incríveis faria.

“Olha, cada vez que eu volto, eu tenho a sensação de que eu já faço parte desse lugar. Eu tenho a sensação de que tudo se renova com a força do afeto e da arte. Eu tenho muito orgulho desse encontro em torno dos livros e em torno da palavra mobilizando tanta gente. E acho incrível que ainda me convidem porque acham e entendem que a minha música tem muito a ver com a literatura”, relatou e celebrou o artista.

Texto: Pedro Novaes
Imagens: Thiago Gama

Fligê 2026 – A nona edição da Feira Literária de Mucugê foi contemplada no Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários (N.º 01/2024). O edital é direcionado à modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme o Decreto Federal N.º 11.453/2023, a Política Estadual de Cultura (Lei N.º 12.365/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.º 13.193/2014), o Plano Estadual de Educação da Bahia (Lei N.º 13.559/2016) e a Lei Federal N.º 14.133/2021.

O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado à Secretaria de Educação do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.

 


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