{"id":6832,"date":"2026-08-15T20:46:29","date_gmt":"2026-08-15T23:46:29","guid":{"rendered":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/?p=6832"},"modified":"2026-08-19T16:05:48","modified_gmt":"2026-08-19T19:05:48","slug":"o-direito-de-sonhar-em-todos-os-tons-fligezinha-debate-protagonismo-negro-na-literatura-infantil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/o-direito-de-sonhar-em-todos-os-tons-fligezinha-debate-protagonismo-negro-na-literatura-infantil\/","title":{"rendered":"O direito de sonhar em todos os tons: Flig\u00eazinha debate protagonismo negro na literatura infantil"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">As escritoras Kalypsa Brito, Claudya Costta e M\u00e1rcia Mendes se reuniram neste s\u00e1bado para refletir sobre representatividade, autoestima e a constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio livre e afroafetivo para as inf\u00e2ncias<\/span><\/i><\/h4>\n<p>Na tarde deste s\u00e1bado, o palco da Flig\u00eazinha transformou-se em um espa\u00e7o de afeto, escuta e ancestralidade. As escritoras Kalypsa Brito, Claudya Costta e M\u00e1rcia Mendes conduziram uma roda de conversa dedicada \u00e0 literatura infantil afrocentrada e \u00e0 urg\u00eancia do protagonismo negro nas p\u00e1ginas dos livros, destacando o impacto profundo dessas narrativas na autoestima, no fortalecimento da identidade e no empoderamento das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Durante a discuss\u00e3o, as autoras enfatizaram que ver a pr\u00f3pria imagem refletida nas hist\u00f3rias permite \u00e0s crian\u00e7as negras compreenderem a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria e se conectarem com suas ra\u00edzes. O debate lan\u00e7ou luz sobre o direito \u00e0 fantasia: ao encontrarem princesas, her\u00f3is e personagens negros ocupando pap\u00e9is de destaque, meninas e meninos descobrem que a imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 um territ\u00f3rio sem fronteiras, onde seus corpos, rostos e sonhos t\u00eam lugar garantido.<\/p>\n<p>Para a escritora Claudya Costta, construir narrativas afrocentradas \u00e9 um gesto de resgate do passado e de celebra\u00e7\u00e3o da diversidade no presente:<\/p>\n<p><em>&#8220;Eu trago nas minhas literaturas personagens sempre protagonistas, donas de si e sabendo para qual caminho v\u00e3o, recuperando esse passado perdido, porque antigamente n\u00e3o t\u00ednhamos essa representatividade. \u00c9 importante para que as crian\u00e7as negras se vejam, se reconhe\u00e7am, e para que outras crian\u00e7as tamb\u00e9m possam ver e saber a import\u00e2ncia da diversidade.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Ao problematizar os desafios da publica\u00e7\u00e3o independente, Kalypsa Brito destacou a urg\u00eancia de disputar o imagin\u00e1rio infantil em um mercado editorial que ainda permanece predominantemente concentrado e pouco diverso:<\/p>\n<p><em>&#8220;A gente precisa escutar e disputar o imagin\u00e1rio infantil no sentido de desconstruir quem \u00e9 a personagem principal e qual narrativa \u00e9 v\u00e1lida. N\u00f3s partimos para essa constru\u00e7\u00e3o com uma coragem na sacola e um pouco de &#8216;\u00f3leo de dend\u00ea&#8217;, porque \u00e0s vezes a gente tem que ir abrindo caminhos para que nossas vozes cheguem at\u00e9 as escolas.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Defendendo a literatura como um espa\u00e7o sagrado de liberdade, M\u00e1rcia Mendes detalhou o cuidado em trabalhar a representatividade a partir de uma perspectiva &#8220;negra afetiva&#8221;, contemplando a pluralidade das caracter\u00edsticas f\u00edsicas e promovendo o respeito desde a inf\u00e2ncia:<\/p>\n<p><em>&#8220;A literatura \u00e9 um territ\u00f3rio f\u00e9rtil e de liberdade. Nos meus livros, fa\u00e7o quest\u00e3o de colocar diferentes tons de pele \u2014 mais de cem tons \u2014, diferentes texturas de cabelos e l\u00e1bios, para que as crian\u00e7as se reconhe\u00e7am de forma positiva. A crian\u00e7a precisa gostar do que v\u00ea, sentir orgulho do pr\u00f3prio cabelo e da sua cor de pele. A palavra e a ilustra\u00e7\u00e3o t\u00eam for\u00e7a de signo, e essa representatividade bonita contribui para um mundo sem preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>O bate-papo na Flig\u00eazinha reafirmou que democratizar o acesso a hist\u00f3rias diversas \u00e9 plantar sementes de afeto e respeito. Ao garantir que o protagonismo negro habite as p\u00e1ginas da literatura infantil, o encontro renovou a certeza de que toda crian\u00e7a tem o direito de se ver, de se orgulhar de quem \u00e9 e de voar longe nas asas da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Flig\u00ea 2026 &#8211;<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> A nona edi\u00e7\u00e3o da Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea foi contemplada no Edital de Apoio \u00e0s Festas, Feiras e Festivais Liter\u00e1rios (N.\u00ba 01\/2024). O edital \u00e9 direcionado \u00e0 modalidade de fomento \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es culturais, conforme o Decreto Federal N.\u00ba 11.453\/2023, a Pol\u00edtica Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 12.365\/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 13.193\/2014), o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o da Bahia (Lei N.\u00ba 13.559\/2016) e a Lei Federal N.\u00ba 14.133\/2021.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifus\u00e3o Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.<\/span><\/p>\n<p>Rep\u00f3rter: Carol Fran\u00e7a<br \/>\nFot\u00f3grafo: Thalis Ribeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As escritoras Kalypsa Brito, Claudya Costta e M\u00e1rcia Mendes se reuniram neste s\u00e1bado para refletir sobre representatividade, autoestima e a constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio livre e afroafetivo para as inf\u00e2ncias Na tarde deste s\u00e1bado, o palco da Flig\u00eazinha transformou-se em um espa\u00e7o de afeto, escuta e ancestralidade. 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