{"id":6806,"date":"2026-08-15T19:20:24","date_gmt":"2026-08-15T22:20:24","guid":{"rendered":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/?p=6806"},"modified":"2026-08-19T16:03:16","modified_gmt":"2026-08-19T19:03:16","slug":"negafyah-ensina-criancas-e-adultos-a-transformar-poesia-em-palavra-falada-na-flige-2026","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/negafyah-ensina-criancas-e-adultos-a-transformar-poesia-em-palavra-falada-na-flige-2026\/","title":{"rendered":"Negafyah ensina crian\u00e7as e adultos a transformar poesia em palavra falada na Flige 2026"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\">Na oficina &#8220;Praticando o Slam&#8221;, a poeta e mestre de cerim\u00f4nias Negafyah ensinou t\u00e9cnicas de escrita, respira\u00e7\u00e3o e recita\u00e7\u00e3o e mostrou que toda periferia tem hist\u00f3rias esperando para serem gritadas<\/h4>\n<p>Havia crian\u00e7as e adultos sentados lado a lado, folhas e canetas em m\u00e3os, ouvidos atentos. N\u00e3o era uma aula comum de literatura. Era um convite para escrever com o corpo inteiro e, depois, dizer em voz alta o que se escreveu ali mesmo, na hora, com o apoio de t\u00e9cnicas de respira\u00e7\u00e3o para sustentar a voz e dar ritmo aos versos. Assim se passou a oficina &#8220;Praticando o Slam&#8221;, uma das atividades mais vibrantes da programa\u00e7\u00e3o da Flig\u00ea 2026, conduzida pela poeta, MC e ativista soteropolitana Negafyah, nome art\u00edstico da escritora Fabiana Lima.<\/p>\n<p>Nascida e criada no bairro de Sussuarana, na periferia de Salvador, Negafyah carrega mais de catorze anos de trajet\u00f3ria entre a literatura, a m\u00fasica e a educa\u00e7\u00e3o. Sua hist\u00f3ria com a poesia come\u00e7ou cedo, em di\u00e1rios guardados na inf\u00e2ncia, e ganhou corpo nos saraus de Salvador, primeiro no Sarau Bem Black, depois no Sarau da On\u00e7a, na pr\u00f3pria Sussuarana, onde encontrou uma juventude com a qual se identificava. Foi ali, ao lado de outros colegas, que fundou o coletivo Resist\u00eancia Po\u00e9tica, levando poesia aos coletivos da cidade.<\/p>\n<p>O caminho seguiu para as batalhas de poesia falada: campe\u00e3 estadual da Bahia em 2015, representante baiana no torneio nacional em S\u00e3o Paulo no ano seguinte e, em 2018, representante do Brasil no Campeonato Mundial de Poesia Falada, na Flupp, no Rio de Janeiro. Em 2017, ao lado de Luiz de Mila Singa, fundou o Slam Damas Bahia, projeto que j\u00e1 soma quase uma d\u00e9cada de batalhas de poesia ininterruptas. A trajet\u00f3ria internacional veio na sequ\u00eancia, com a turn\u00ea &#8220;Vozes em Poesia&#8221;, que levou oficinas a Cabo Verde e Portugal, onde tamb\u00e9m lan\u00e7ou o livro &#8220;Ancestrais Escrituras&#8221;. Em 2025, veio o primeiro livro solo, &#8220;Faiador do Amor&#8221;, hom\u00f4nimo ao espet\u00e1culo que j\u00e1 circula desde 2024 e que chegou a ser semifinalista do Pr\u00eamio Oceanos, um dos mais importantes da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>Foi toda essa viv\u00eancia que Negafyah trouxe para dentro da oficina na Flig\u00ea, realizada na manh\u00e3 deste s\u00e1bado (15). Mais do que t\u00e9cnica de escrita, ela apresentou aos participantes um movimento, o do slam, batalha de poesia falada e autoral nascida em 1984, em Chicago, pelas m\u00e3os do poeta Mark Smith, e trazida ao Brasil em 2008 pela poeta Roberta Estrela D&#8217;Alva. Um movimento que, segundo a pr\u00f3pria Negafyah explicou durante a atividade, j\u00e1 re\u00fane mais de cem saraus de batalha espalhados pelo pa\u00eds \u2014 s\u00f3 em S\u00e3o Paulo, mais de cinquenta.<\/p>\n<p>Para ela, o slam cumpre um papel que a escola tradicional muitas vezes n\u00e3o alcan\u00e7a: o de aproximar a literatura da vida real de quem escreve. &#8220;\u00c9 um movimento que d\u00e1 palco para que outras pessoas se transformem nesse escritor que se descubra tamb\u00e9m enquanto artista&#8221;, disse a poeta, lembrando que os poetas can\u00f4nicos, ainda que importantes, nem sempre d\u00e3o conta de traduzir a realidade de quem vem da periferia.<\/p>\n<p>Entre os presentes na oficina estava Daiana Rodrigues, professora da rede estadual de Barreiras e integrante do Clube L\u00e1, que participa da Flig\u00ea pelo segundo ano consecutivo. Para ela, a experi\u00eancia de escrever e recitar ao lado de Negafyah foi um dos pontos altos da feira. &#8220;A experi\u00eancia de conhecer a Negafyah aqui nessa oficina foi enriquecedora. O trabalho do slam das Minas \u00e9 um trabalho riqu\u00edssimo aqui na Bahia&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Ao final do encontro, entre crian\u00e7as que testavam a for\u00e7a da pr\u00f3pria voz pela primeira vez e adultos que revisitavam versos antigos, ficou a mensagem que Negafyah carrega em toda a sua trajet\u00f3ria: a poesia falada n\u00e3o \u00e9 apenas uma forma de arte, mas uma ferramenta de resist\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o para quem vem das periferias, e cada novo slam que nasce \u00e9 tamb\u00e9m um novo palco para essas vozes.<\/p>\n<p>Flig\u00ea 2026 &#8211; A nona edi\u00e7\u00e3o da Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea foi contemplada no Edital de Apoio \u00e0s Festas, Feiras e Festivais Liter\u00e1rios (N.\u00ba 01\/2024). O edital \u00e9 direcionado \u00e0 modalidade de fomento \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es culturais, conforme o Decreto Federal N.\u00ba 11.453\/2023, a Pol\u00edtica Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 12.365\/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 13.193\/2014), o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o da Bahia (Lei N.\u00ba 13.559\/2016) e a Lei Federal N.\u00ba 14.133\/2021.<\/p>\n<p>O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifus\u00e3o Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.<\/p>\n<p>Texto: Samara Dias<\/p>\n<p>Fotos: Igor Chaves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na oficina &#8220;Praticando o Slam&#8221;, a poeta e mestre de cerim\u00f4nias Negafyah ensinou t\u00e9cnicas de escrita, respira\u00e7\u00e3o e recita\u00e7\u00e3o e mostrou que toda periferia tem hist\u00f3rias esperando para serem gritadas Havia crian\u00e7as e adultos sentados lado a lado, folhas e canetas em m\u00e3os, ouvidos atentos. 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