{"id":6794,"date":"2026-08-15T17:40:58","date_gmt":"2026-08-15T20:40:58","guid":{"rendered":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/?p=6794"},"modified":"2026-08-19T16:00:15","modified_gmt":"2026-08-19T19:00:15","slug":"memoria-e-silencio-mariana-salomao-carrara-e-moema-franca-dialogam-na-flige","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/memoria-e-silencio-mariana-salomao-carrara-e-moema-franca-dialogam-na-flige\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria e sil\u00eancio: Mariana Salom\u00e3o Carrara e Moema Franca dialogam na Flig\u00ea\u00a0"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mediada por L\u00edlian Almeida, a refletiu sobre a escrita amadora, a passagem do tempo e os vazios comunicativos que constroem a literatura.\u00a0<\/span><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sob a premissa de que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">nem tudo precisa ser dito em voz alta para permanecer vivo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, a Mesa intitulada &#8220;Mem\u00f3ria e sil\u00eancio das coisas&#8221;, promoveu uma profunda reflex\u00e3o sobre o fazer liter\u00e1rio e as aus\u00eancias que constroem a narrativa. A media\u00e7\u00e3o esteve a cargo da escritora, professora da UNEB e terapeuta L\u00edlian Almeida, que conduziu a conversa com as autoras Mariana Salom\u00e3o Carrara (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Se Deus me chamar n\u00e3o vou<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) e Moema Franca (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Anatomia de uma cidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para abrir o bate papo, L\u00edlian Almeida resgatou uma famosa entrevista de Clarice Lispector, na qual a autora afirmava se manter uma &#8220;escritora amadora&#8221; como forma de garantir sua liberdade criativa, livre de obriga\u00e7\u00f5es institucionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao refletirem sobre essa postura, ambas as convidadas concordaram que se afastar da l\u00f3gica estritamente utilit\u00e1ria do mercado protege a porosidade da escrita. Moema Franca relembrou sua trajet\u00f3ria por diversas \u00e1reas, da an\u00e1lise de sistemas ao jornalismo e ao cinema, at\u00e9 render-se \u00e0 literatura, destacando o pavor de instrumentalizar a pr\u00f3pria vida:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Eu tinha um temor muito grande de chegar a um momento em que meu olhar fosse excessivamente utilit\u00e1rio, de viver j\u00e1 pensando &#8216;isso d\u00e1 uma cr\u00f4nica, isso n\u00e3o d\u00e1&#8217;. Eu n\u00e3o queria ter esse olhar instrumental para a vida. A literatura n\u00e3o \u00e9 minha primeira profiss\u00e3o, e ser amadora nesse sentido \u00e9 preservar esse olhar que n\u00e3o busca s\u00f3 o uso pr\u00e1tico.&#8221;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Provocadas sobre como capturam a mat\u00e9ria-prima de suas obras, as autoras revelaram que o processo criativo opera por estalos, observa\u00e7\u00e3o minuciosa e pelo que Moema definiu como a busca incessante da esp\u00e9cie humana por significados. Mariana explicou como a mente do escritor se volta inteiramente para a obra quando um livro ganha vida:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Quando h\u00e1 um romance em andamento, ele suga tudo. Qualquer coisa que voc\u00ea v\u00ea gera aquele &#8216;clique&#8217; interno que parece dizer: &#8216;isso \u00e9 liter\u00e1rio, isso se amolda ao romance&#8217;. Quando n\u00e3o h\u00e1 nada em andamento, a gente apenas recebe a vida de uma forma n\u00e3o liter\u00e1ria, at\u00e9 surgir a pr\u00f3xima fa\u00edsca.&#8221;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aprofundando o tema central do encontro, L\u00edlian provocou as debatedoras sobre como o sil\u00eancio habita suas obras, seja pelo luto, pelo ocultamento ou pela fala dos pr\u00f3prios objetos dom\u00e9sticos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mariana Salom\u00e3o Carrara destacou o sil\u00eancio interno dos narradores em primeira pessoa e a mem\u00f3ria impregnada no cotidiano:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Gosto muito de especular o que as pessoas est\u00e3o pensando e n\u00e3o est\u00e3o falando, porque muito do que agimos na vida tem a ver com o que n\u00e3o soubemos expressar. Meus narradores muitas vezes est\u00e3o em um mon\u00f3logo interior profundo, calados para o mundo ao redor. E h\u00e1 tamb\u00e9m a mem\u00f3ria dos objetos: a vida e os gestos da fam\u00edlia que ficam guardados em um espelho ou no ato de separar gr\u00e3os de bico.&#8221;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Moema Franca trouxe uma perspectiva sobre o sil\u00eancio enquanto habilidade pol\u00edtica e recurso est\u00e9tico, lembrando a inefabilidade da comunica\u00e7\u00e3o humana:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;O sil\u00eancio \u00e9 uma habilidade, esse &#8216;dizer sem dizer&#8217;. Os sil\u00eancios muitas vezes se comunicam mais do que aquilo que \u00e9 dito. Embora a linguagem seja a coisa mais preciosa que temos, ela \u00e9 imperfeita: da minha pele para dentro da de voc\u00eas, a gente nunca vai saber se a comunica\u00e7\u00e3o se deu perfeitamente. O sil\u00eancio trabalha nesse espa\u00e7o.&#8221;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A mesa deixou evidente que escrever \u00e9 tamb\u00e9m um exerc\u00edcio de constante escuta do invis\u00edvel. Em um mundo saturado de ru\u00eddos e urg\u00eancias, Mariana Salom\u00e3o Carrara, Moema Franca e L\u00edlian Almeida reafirmaram que a literatura n\u00e3o se apressa. Afinal, ao dar contorno aos vazios que nos atravessam e acolher a inefabilidade da linguagem, a palavra dita e a palavra calada cumprem o mesmo papel fundamental: resgatar a mem\u00f3ria do cotidiano e impedir que a sensibilidade das coisas caia no esquecimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Flig\u00ea 2026 &#8211;<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> A nona edi\u00e7\u00e3o da Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea foi contemplada no Edital de Apoio \u00e0s Festas, Feiras e Festivais Liter\u00e1rios (N.\u00ba 01\/2024). O edital \u00e9 direcionado \u00e0 modalidade de fomento \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es culturais, conforme o Decreto Federal N.\u00ba 11.453\/2023, a Pol\u00edtica Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 12.365\/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 13.193\/2014), o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o da Bahia (Lei N.\u00ba 13.559\/2016) e a Lei Federal N.\u00ba 14.133\/2021.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifus\u00e3o Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rep\u00f3rter: Carol Fran\u00e7a<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Fot\u00f3grafo: Thiago Gama<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mediada por L\u00edlian Almeida, a refletiu sobre a escrita amadora, a passagem do tempo e os vazios comunicativos que constroem a literatura.\u00a0 Sob a premissa de que nem tudo precisa ser dito em voz alta para permanecer vivo, a Mesa intitulada &#8220;Mem\u00f3ria e sil\u00eancio das coisas&#8221;, promoveu uma profunda reflex\u00e3o sobre o fazer liter\u00e1rio e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6910,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-6794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6794"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6911,"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6794\/revisions\/6911"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6910"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}