{"id":6739,"date":"2026-08-14T19:12:41","date_gmt":"2026-08-14T22:12:41","guid":{"rendered":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/?p=6739"},"modified":"2026-08-19T15:53:34","modified_gmt":"2026-08-19T18:53:34","slug":"zulu-araujo-leva-a-flige-o-debate-sobre-racismo-e-apagamento-historico-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/zulu-araujo-leva-a-flige-o-debate-sobre-racismo-e-apagamento-historico-na-bahia\/","title":{"rendered":"Zulu Ara\u00fajo leva \u00e0 Flig\u00ea o debate sobre racismo e apagamento hist\u00f3rico na Bahia"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><em>Em encontro autoral na Tenda Liter\u00e1ria, autor de &#8220;Apenas um Cidad\u00e3o&#8221; fala sobre racismo estrutural, o caso Pel\u00e9 e nomes de traficantes de escravos que ainda batizam ruas e museus de Salvador<\/em><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 cidades que erguem est\u00e1tuas para o que querem lembrar e apagam com a mesma delicadeza o que preferem esquecer. Foi sobre essa arquitetura invis\u00edvel do esquecimento que o escritor Zulu Ara\u00fajo, autor de &#8220;Apenas um Cidad\u00e3o&#8221;, falou durante encontro autoral no palco da Tenda Liter\u00e1ria, na Flig\u00ea. Citando o estudioso congol\u00eas Kabengele Munanga, foi direto &#8220;o Brasil, e eu digo que a Bahia, conseguiu cometer o crime perfeito&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para ilustrar o racismo estrutural, citou um epis\u00f3dio em que o jornalista Juca Kfouri foi questionado tr\u00eas vezes seguidas, porque Pel\u00e9 nunca foi endeusado no Brasil como Messi e Maradona s\u00e3o na Argentina. A resposta, segundo Zulu, foi sempre a mesma &#8220;porque ele \u00e9 preto&#8221;. &#8220;O racismo brasileiro consegue negar a exist\u00eancia do maior jogador de futebol de todos os tempos&#8221;, disse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Zulu contou que come\u00e7ou a escrever a convite do jornalista Dacar Miranda, no extinto jornal Bahia Hoje. Seu primeiro texto foi sobre cidadania. &#8220;Achava um absurdo a forma como eram tratados os bairros populares na cidade de Salvador, ali\u00e1s, n\u00e3o era, continua sendo&#8221;, apontou. &#8220;Crian\u00e7a num bairro popular negro \u00e9 pivete, uma crian\u00e7a na classe m\u00e9dia \u00e9 crian\u00e7a. Um adolescente na classe m\u00e9dia \u00e9 um jovem que precisa de orienta\u00e7\u00e3o; um adolescente num bairro popular \u00e9 aquele que est\u00e1 na mira do fuzil&#8221;, emendou Zulu, ressaltanda diferen\u00e7a de tratamento das pessoas de acordo com o lugar onde vivem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O autor nasceu no Solar do Unh\u00e3o, hoje sede do Museu de Arte Moderna (MAM) da Bahia, museu que, projetado por Lina Bo Bardi, deveria se chamar Museu de Arte Popular. &#8220;A elite na cidade de Salvador n\u00e3o permitiu&#8221;, disse Zulu, acrescentando que Lina Bo Bardi acabou deixando a cidade rumo a S\u00e3o Paulo, onde fundou o MAM paulista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de virar museu, por\u00e9m, o Solar do Unh\u00e3o foi &#8220;o espa\u00e7o de compra e venda de escravizados&#8221;, pertencente a Gabriel Soares, que Zulu descreveu como &#8220;um dos maiores traficantes de escravos da Am\u00e9rica Latina&#8221;, e que hoje batiza uma rua de Salvador. &#8220;A Bahia homenageia os traficantes de escravos com um orgulho que voc\u00ea n\u00e3o encontra em nenhum outro lugar do mundo&#8221;, afirmou o escritor, citando tamb\u00e9m o Comendador Pereira Marinho, a fam\u00edlia Catarino e o Museu Carlos Costa Pinto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, segundo Zulu, essas mesmas fam\u00edlias desaparecem no momento em que a hist\u00f3ria precisa nome\u00e1-las como o que foram. &#8220;N\u00e3o tem mais ningu\u00e9m no arquivo p\u00fablico do Estado da Bahia, nem em nenhum livro de hist\u00f3ria na Bahia, nenhuma fam\u00edlia baiana como traficante de escravos&#8221;. \u00c9 esse contraste, entre a homenagem em pedra e o sil\u00eancio no papel, que o escritor resume numa \u00fanica express\u00e3o &#8220;apagamento hist\u00f3rico&#8221;. Uma aus\u00eancia t\u00e3o bem constru\u00edda, disse, que precisou atravessar o Atl\u00e2ntico, at\u00e9 os arquivos de Portugal, para encontrar o que a pr\u00f3pria Bahia escolheu n\u00e3o registrar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rep\u00f3rter: Kamile Cardoso\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fot\u00f3grafo: Lua Ife<\/span><\/p>\n<p><b>Flig\u00ea 2026 \u2013<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> A nona edi\u00e7\u00e3o da Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea foi contemplada no Edital de Apoio \u00e0s Festas, Feiras e Festivais Liter\u00e1rios (N.\u00ba 01\/2024). O edital \u00e9 direcionado \u00e0 modalidade de fomento \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es culturais, conforme o Decreto Federal N.\u00ba 11.453\/2023, a Pol\u00edtica Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 12.365\/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 13.193\/2014), o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o da Bahia (Lei N.\u00ba 13.559\/2016) e a Lei Federal N.\u00ba 14.133\/2021.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifus\u00e3o Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em encontro autoral na Tenda Liter\u00e1ria, autor de &#8220;Apenas um Cidad\u00e3o&#8221; fala sobre racismo estrutural, o caso Pel\u00e9 e nomes de traficantes de escravos que ainda batizam ruas e museus de Salvador H\u00e1 cidades que erguem est\u00e1tuas para o que querem lembrar e apagam com a mesma delicadeza o que preferem esquecer. 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