{"id":6608,"date":"2026-08-13T23:53:42","date_gmt":"2026-08-14T02:53:42","guid":{"rendered":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/?p=6608"},"modified":"2026-08-19T15:39:21","modified_gmt":"2026-08-19T18:39:21","slug":"literatura-e-quando-dizer-cura-livia-natalia-emociona-publico-na-abertura-da-flige","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/literatura-e-quando-dizer-cura-livia-natalia-emociona-publico-na-abertura-da-flige\/","title":{"rendered":"Literatura \u00e9 quando dizer cura: L\u00edvia Nat\u00e1lia emociona p\u00fablico na abertura da Flig\u00ea"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: center;\"><em>Em confer\u00eancia marcada por sil\u00eancios, mem\u00f3ria e ancestralidade, poeta e Yalorix\u00e1 emocionou o p\u00fablico de Mucug\u00ea na noite de abertura da Flig\u00ea<\/em><\/h4>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"ltr\">Entre palavras, sil\u00eancios e mem\u00f3rias, a literatura encontrou morada na noite de abertura da Flig\u00ea, em Mucug\u00ea, nesta quinta-feira (13). A confer\u00eancia &#8220;Literatura \u00e9 quando dizer cura&#8221;, conduzida pela poeta, pesquisadora, professora e Yalorix\u00e1 L\u00edvia Nat\u00e1lia, transformou o encontro em uma experi\u00eancia de escuta e emo\u00e7\u00e3o. Diante de um p\u00fablico atento, L\u00edvia falou sobre escrita, literatura negra, maternidade, ancestralidade e o poder de transformar aquilo que durante muito tempo permaneceu em sil\u00eancio em palavra.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"ltr\">Filha de Ogum, L\u00edvia Nat\u00e1lia levou para a confer\u00eancia n\u00e3o apenas reflex\u00f5es sobre o fazer liter\u00e1rio, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria poesia. Ao longo do encontro, recitou poemas publicados em seus livros e presenteou o p\u00fablico com dois textos in\u00e9ditos, que estar\u00e3o em sua pr\u00f3xima obra \u2014 ainda sem t\u00edtulo revelado, por acordo com a editora.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"ltr\">Foi na voz da poeta que a literatura ganhou corpo. Os poemas atravessaram o espa\u00e7o da confer\u00eancia e encontraram quem estava diante dela. Em meio \u00e0 escuta, vieram a emo\u00e7\u00e3o, o sil\u00eancio e a sensa\u00e7\u00e3o de reconhecimento. Ao falar sobre o momento em que a palavra deixa de ser apenas express\u00e3o e passa a ser tamb\u00e9m uma forma de cura, L\u00edvia foi direta: &#8220;Eu acho que a gente se sente tocado pela poesia, pela literatura, quando ela nos devolve algo que a gente ainda n\u00e3o tinha conseguido dizer&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"ltr\">Para ela, esse encontro ganha uma dimens\u00e3o ainda mais profunda quando a literatura permite que pessoas negras encontrem, na palavra, uma imagem de si mesmas. &#8220;Eu acho que a literatura negra tem esse poder, n\u00e9? A gente se olha no olho, se entende, se cura, se refaz&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><a href=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.37.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-6697 aligncenter\" src=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.37-1024x589.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"589\" srcset=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.37-1024x589.jpeg 1024w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.37-300x173.jpeg 300w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.37-768x442.jpeg 768w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.37-400x230.jpeg 400w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.37-870x500.jpeg 870w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.37.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">A escritora tamb\u00e9m refletiu sobre o lugar das pessoas negras dentro de uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria marcada pela branquitude. Segundo L\u00edvia, muitas vezes esse acolhimento \u00e9 provis\u00f3rio, atravessado por racismo e misoginia. \u00c9 justamente por isso que encontrar uma literatura capaz de reconhecer essas experi\u00eancias pode produzir um outro tipo de pertencimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">A presen\u00e7a de L\u00edvia tamb\u00e9m reverberou entre os participantes da confer\u00eancia. Para a professora Karina Cerqueira, ouvi-la \u00e9 uma experi\u00eancia que ultrapassa a dimens\u00e3o intelectual.\u00a0&#8220;Ouvir L\u00edvia \u00e9 sempre um presente. Toda vez que eu ou\u00e7o L\u00edvia, a gente sai com o \u00e2mago, com a alma preenchida de tanta sensibilidade, e a Flig\u00ea proporciona que a gente ou\u00e7a ela num lugar t\u00e3o acolhedor quanto Mucug\u00ea&#8221;, contou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Karina descreveu ainda a presen\u00e7a da escritora como algo quase sagrado e n\u00e3o escondeu a emo\u00e7\u00e3o. &#8220;Para mim \u00e9 uma experi\u00eancia inenarr\u00e1vel ouvir L\u00edvia e ver L\u00edvia, quase como se v\u00ea um orix\u00e1 presente entre a gente, conversando com a gente. Muita emo\u00e7\u00e3o! A gente fica meio embargada de ouvi-la, de v\u00ea-la falar, da forma t\u00e3o bonita como ela fala da pr\u00f3pria vida. Para mim \u00e9 lindo&#8221;, relatou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Entre o p\u00fablico estava tamb\u00e9m uma estudante do curso de Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), que saiu de Ilh\u00e9us especialmente para participar da Flig\u00ea. A aproxima\u00e7\u00e3o com a obra de L\u00edvia come\u00e7ou na universidade, por indica\u00e7\u00e3o de uma professora. Desde ent\u00e3o, a estudante passou a acompanhar a produ\u00e7\u00e3o da escritora e, naquela noite, teve a oportunidade de encontr\u00e1-la presencialmente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">A experi\u00eancia, para ela, representou tamb\u00e9m uma transforma\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com a poesia. &#8220;Nossa, foi muito emocionante, porque eu era uma pessoa que n\u00e3o gostava de poesia at\u00e9 conhec\u00ea-la. Eu n\u00e3o lia muita poesia, e a\u00ed, a partir de L\u00edvia, comecei a perceber a poesia como algo presente em n\u00f3s mesmos, no nosso dia a dia&#8221;, revelou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">A trajet\u00f3ria de L\u00edvia Nat\u00e1lia \u00e9 marcada pela poesia, pela pesquisa e pela doc\u00eancia. Doutora em Literatura pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde \u00e9 professora de Teoria Liter\u00e1ria, a escritora j\u00e1 publicou <em>\u00c1gua Negra<\/em> (Caramur\u00ea, 2010), vencedor do Pr\u00eamio Banco Capital de Poesia; <em>Correntezas e Outros Estudos Marinhos<\/em> (Ogum&#8217;s Toques, 2015); e <em>\u00c1gua Negra e Outras \u00c1guas<\/em> (Caramur\u00ea, 2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Em 2017, recebeu o pr\u00eamio de Melhor Livro de Poesia no Pr\u00eamio APCA por <em>Dia Bonito pra Chover<\/em>, publicado pela Editora Mal\u00ea. A obra re\u00fane 30 poemas que abordam a tem\u00e1tica universal do amor a partir do olhar de uma mulher negra.\u00a0Na Flig\u00ea, a escritora tamb\u00e9m falou sobre o livro que est\u00e1 preparando. O t\u00edtulo ainda n\u00e3o pode ser revelado, mas duas das poesias que estar\u00e3o na nova obra foram compartilhadas com o p\u00fablico. L\u00edvia contou que o livro nasceu &#8220;\u00e0 beira-leito&#8221;, em torno da m\u00e3e que estava internada em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e que essa escrita se tornou uma forma de elaborar amor, mem\u00f3ria e ancestralidade. &#8220;Mas \u00e9 um livro que, como qualquer escrev\u00eancia de mulheres negras, \u00e9 sobre mim e sobre n\u00f3s todas&#8221;, destacou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">A obra tamb\u00e9m retoma uma quest\u00e3o que atravessa sua trajet\u00f3ria liter\u00e1ria: o lugar da m\u00e3e preta na literatura e na mem\u00f3ria brasileira. &#8220;A m\u00e3e preta n\u00e3o foi colocada na nossa literatura. Ela foi colocada como produto, como f\u00e1brica, \u00fatero sequestrado, rendido. Ent\u00e3o eu poder falar a partir desse lugar, do lugar de filha de uma mulher preta, \u00e9 muito importante&#8221;, afirmou.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.27.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-6698\" src=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.27-1024x589.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"589\" srcset=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.27-1024x589.jpeg 1024w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.27-300x173.jpeg 300w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.27-768x442.jpeg 768w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.27-400x230.jpeg 400w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.27-870x500.jpeg 870w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-15.48.27.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Ao falar da m\u00e3e, L\u00edvia desloca a experi\u00eancia individual para uma dimens\u00e3o coletiva. A mem\u00f3ria de uma mulher torna-se tamb\u00e9m mem\u00f3ria de tantas outras. A ferida particular encontra, na poesia, uma possibilidade de nomea\u00e7\u00e3o. &#8220;Ent\u00e3o esse livro \u00e9 muito isso. \u00c9 um livro que tem, como sempre, quest\u00e3o pol\u00edtica, porque n\u00e3o tem como sair disso&#8221;, pontuou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">A confer\u00eancia tamb\u00e9m revelou uma das dimens\u00f5es mais fortes da rela\u00e7\u00e3o de L\u00edvia com o p\u00fablico: a possibilidade de a literatura chegar onde, muitas vezes, ningu\u00e9m esperava que chegasse. A escritora contou que tem percorrido a Bahia e outros lugares do pa\u00eds, participando de festas, feiras e encontros liter\u00e1rios. Nessas viagens, s\u00e3o os leitores que, segundo ela, confirmam o alcance da poesia.\u00a0\u00a0&#8220;Eu sinto o poder que a poesia tem, o poder que a palavra tem. E sinto isso justamente quando uma pessoa me abra\u00e7a e diz: &#8216;Olha, me emocionei com o que voc\u00ea disse, o que voc\u00ea trouxe \u00e9 importante'&#8221;, contou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">L\u00edvia tamb\u00e9m destacou a presen\u00e7a dos jovens que escrevem, mas ainda n\u00e3o acreditam que seja poss\u00edvel fazer da arte um caminho. &#8220;Tem muito jovem, menino, menina, que escreve e que n\u00e3o acha que \u00e9 poss\u00edvel. Eu acho que sou uma pessoa que mostra o que \u00e9 poss\u00edvel, e que \u00e9 importante que a gente continue fazendo arte, resistindo. Porque \u00e9 a\u00ed que a arte faz sentido&#8221;, disse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">Flig\u00ea 2026 &#8211;<\/span><span style=\"white-space: pre-wrap;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\"> A nona edi\u00e7\u00e3o da Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea foi contemplada no Edital de Apoio \u00e0s Festas, Feiras e Festivais Liter\u00e1rios (N.\u00ba 01\/2024). O edital \u00e9 direcionado \u00e0 modalidade de fomento \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es culturais, conforme o Decreto Federal N.\u00ba 11.453\/2023, a Pol\u00edtica Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 12.365\/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei N.\u00ba 13.193\/2014), o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o da Bahia (Lei N.\u00ba 13.559\/2016) e a Lei Federal N.\u00ba 14.133\/2021.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"white-space: pre-wrap;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"white-space: pre-wrap;\"><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;\">O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifus\u00e3o Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia, por meio da TVE Bahia.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"ltr\"><em>Texto: Samara Dias<\/em><br \/>\n<em>Fotos: Igor Chaves<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em confer\u00eancia marcada por sil\u00eancios, mem\u00f3ria e ancestralidade, poeta e Yalorix\u00e1 emocionou o p\u00fablico de Mucug\u00ea na noite de abertura da Flig\u00ea Entre palavras, sil\u00eancios e mem\u00f3rias, a literatura encontrou morada na noite de abertura da Flig\u00ea, em Mucug\u00ea, nesta quinta-feira (13). 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