{"id":6278,"date":"2025-08-16T17:41:57","date_gmt":"2025-08-16T20:41:57","guid":{"rendered":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/?p=6278"},"modified":"2025-08-16T17:41:57","modified_gmt":"2025-08-16T20:41:57","slug":"rios-de-memorias-e-matas-de-sentido-flige-discute-patrimonio-como-palavra-viva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/rios-de-memorias-e-matas-de-sentido-flige-discute-patrimonio-como-palavra-viva\/","title":{"rendered":"Rios de mem\u00f3rias e matas de sentido: Flig\u00ea discute patrim\u00f4nio como palavra viva"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Mesa Especial re\u00fane escritores e pesquisadores para refletir sobre arquitetura popular, cultura imaterial e preserva\u00e7\u00e3o na Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea (Flig\u00ea).<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma cidade que celebra a literatura todos os anos nas edi\u00e7\u00f5es da Flig\u00ea, Mucug\u00ea \u00e9 um territ\u00f3rio da Chapada Diamantina onde a natureza, a cultura e a hist\u00f3ria pulsam para al\u00e9m das palavras escritas. \u00c9 tamb\u00e9m nas ruas, com suas casas, sobrados, igrejas e demais monumentos hist\u00f3ricos, que a mem\u00f3ria \u00e9 preservada. E seus moradores s\u00e3o guardi\u00f5es que protegem e vivem uma cultura transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea, essa cultura que vai al\u00e9m do patrim\u00f4nio material foi celebrada em uma conversa sobre mem\u00f3ria, cultura e preserva\u00e7\u00e3o da arquitetura e dos saberes tradicionais. A Mesa Especial \u201cRios de mem\u00f3rias, matas de sentido: Patrim\u00f4nio como palavra viva\u201d trouxe, na tarde da sexta-feira (15), um debate rico com o encontro entre a pesquisadora M\u00e1rcia Sant\u2019Anna, o escritor e arquiteto Fellipe Decrescenzo e o representante do Iphan, Hermano Fabr\u00edcio O. Guanais e Queiroz, com media\u00e7\u00e3o da jornalista Thaic Carvalho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Famosa por suas casas t\u00e9rreas e sobrados da segunda metade do s\u00e9culo XIX, a arquitetura de Mucug\u00ea \u00e9 frequentemente definida como colonial e seu conjunto arquitet\u00f4nico e paisag\u00edstico foi tombado pelo Iphan em 1980. Para a pesquisadora M\u00e1rcia Sant\u2019Anna, no entanto, o r\u00f3tulo \u201carquitetura colonial\u201d \u00e9 usado de forma geral para as produ\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas de cidades hist\u00f3ricas brasileiras, deixando de lado caracter\u00edsticas \u00fanicas de cada lugar.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6290\" src=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.11-1024x724.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"724\" srcset=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.11-1024x724.jpeg 1024w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.11-300x212.jpeg 300w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.11-768x543.jpeg 768w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.11-1536x1086.jpeg 1536w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.11-70x50.jpeg 70w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.11.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA maior parte da arquitetura que temos em Mucug\u00ea \u00e9 uma arquitetura popular, feita a partir de saberes e conhecimentos passados de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, e a partir de t\u00e9cnicas construtivas de amplo dom\u00ednio popular\u201d, afirma M\u00e1rcia. Para preservar a hist\u00f3ria e a dimens\u00e3o imaterial do patrim\u00f4nio de Mucug\u00ea, a pesquisadora enfatizou que a preserva\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m de manter os s\u00edtios hist\u00f3ricos, \u00e9 preciso reconhecer e valorizar esses fazeres e saberes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O arquiteto e pesquisador Fellipe Decrescenzo explica que s\u00e3o os casarios t\u00e9rreos, constru\u00eddos originalmente com a t\u00e9cnica de pau a pique, e os materiais como adobe (tijolos de barro cru) e alvenaria de pedra, que s\u00e3o a marca da arquitetura de cidades como Mucug\u00ea, Len\u00e7\u00f3is e a vila de Igatu. Atualmente, pintadas de cores vibrantes, essas casas e sobrados coloridos s\u00e3o uma marca do Centro Hist\u00f3rico de Mucug\u00ea.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Decrescenzo lembra que esses materiais e t\u00e9cnicas fazem parte do processo de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio durante o ciclo do garimpo do s\u00e9culo XIX. Foram essas pessoas, praticantes de um garimpo manual e artesanal, diferente do garimpo destrutivo da contemporaneidade, que vieram para a regi\u00e3o em busca de condi\u00e7\u00f5es de vida melhores. Ao ocupar e fundar a cidade, criaram uma arquitetura popular de qualidade e moldada pela natureza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMucug\u00ea tem um car\u00e1ter singelo, integrado ao ambiente. A natureza condiciona de algum modo essa ocupa\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio s\u00edtio f\u00edsico, a conforma\u00e7\u00e3o de Mucug\u00ea, com esses morros em volta, essa \u00e1rea plana de vale, ela tamb\u00e9m direciona a forma como a cidade \u00e9 implantada&#8221;, explica o pesquisador, ressaltando tamb\u00e9m o Cemit\u00e9rio Santa Isabel, mais conhecido como Cemit\u00e9rio Bizantino, incrustado no pared\u00e3o de pedra, e as ruas que contornam as forma\u00e7\u00f5es rochosas, paralelas ao rio que era explorado pelos garimpeiros.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>Preserva\u00e7\u00e3o que nasce do reconhecimento de saberes para al\u00e9m das Letras<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A conversa da Mesa Especial da Flig\u00ea ecoa ideias e pensamentos de escritores como Cec\u00edlia Meireles e Edison Carneiro, que atuaram na defesa das culturas populares no s\u00e9culo XX, e de um movimento que tem origens na Semana de Arte Moderna de 1922, quando escritores, artistas e intelectuais discutiram ideias que iriam culminar na cria\u00e7\u00e3o do Iphan (Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional), em 1937.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O representante do Iphan, Hermano Fabr\u00edcio O. Guanais e Queiroz, lembra que Carlos Drummond de Andrade foi chefe de gabinete do \u00f3rg\u00e3o, enfatizando a profunda rela\u00e7\u00e3o entre a literatura e as culturas tradicionais, que tamb\u00e9m passaram a ser reconhecidas como patrim\u00f4nio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6292\" src=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.43-1024x724.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"724\" srcset=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.43-1024x724.jpeg 1024w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.43-300x212.jpeg 300w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.43-768x543.jpeg 768w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.43-1536x1086.jpeg 1536w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.43-70x50.jpeg 70w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/WhatsApp-Image-2025-08-16-at-17.34.43.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cToda a base conceitual para os avan\u00e7os no campo do patrim\u00f4nio imaterial \u00e9 gerada por quem tem um comprometimento com a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar em preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio imaterial sem lembrar dessas figuras que est\u00e3o criando mem\u00f3rias, tamb\u00e9m a partir de uma vasta documenta\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Hermano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a pesquisadora M\u00e1rcia Sant\u2019Anna, a preserva\u00e7\u00e3o s\u00f3 se sustenta quando Estado e sociedade caminham juntos, sem hierarquias, valorizando a troca de saberes. \u201cCriou-se a ideia na sociedade de que s\u00f3 o Estado preserva. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. A preserva\u00e7\u00e3o faz parte da sociedade. Inclusive, a no\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio imaterial mostra isso cristalinamente. N\u00e3o foi o Iphan que preservou o samba de roda, foram as pessoas que fazem o samba de roda. Preservar pr\u00e1ticas e bens \u00e9 parte da humanidade, n\u00f3s fazemos isso no nosso cotidiano. Se isso for feito e bem trabalhado, a gente vai ter muito mais chance do que se Estado, de cima para baixo, definir o que \u00e9 patrim\u00f4nio\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s as falas dos convidados da mesa, durante a discuss\u00e3o com o p\u00fablico, a curadora da Flig\u00ea, Ester Figueiredo, participou enfatizando a corresponsabilidade que a Feira Liter\u00e1ria assume em rela\u00e7\u00e3o aos esfor\u00e7os coletivos para a preserva\u00e7\u00e3o dos patrim\u00f4nios culturais de Mucug\u00ea. \u201cAgrade\u00e7o \u00e0 mesa pela oportunidade de escuta e debate para a gente fortalecer mais e ampliar essas pol\u00edticas\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Texto: Paula Janay<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fotos: Thiago Gama<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Este projeto foi contemplado no Edital de Apoio \u00e0s Festas, Feiras e Festivais Liter\u00e1rios (n.\u00ba 01\/2024), por meio do Programa Bahia Liter\u00e1ria, com o apoio do Governo do Estado da Bahia, atrav\u00e9s da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e da Secretaria de Cultura, via Funda\u00e7\u00e3o Pedro Calmon.<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">O edital \u00e9 direcionado \u00e0 modalidade de fomento \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es culturais, conforme o Decreto Federal n.\u00ba 11.453\/2023, a Pol\u00edtica Estadual de Cultura (Lei n.\u00ba 12.365\/2011), o Plano Estadual de Cultura (Lei n.\u00ba 13.193\/2014), o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o da Bahia (Lei n.\u00ba 13.559\/2016) e a Lei Federal n.\u00ba 14.133\/2021. O projeto conta ainda com o apoio cultural do Instituto de Radiodifus\u00e3o Educativa da Bahia (IRDEB), vinculado \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia, por meio da R\u00e1dio Educadora FM e da TVE Bahia.<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesa Especial re\u00fane escritores e pesquisadores para refletir sobre arquitetura popular, cultura imaterial e preserva\u00e7\u00e3o na Feira Liter\u00e1ria de Mucug\u00ea (Flig\u00ea). Uma cidade que celebra a literatura todos os anos nas edi\u00e7\u00f5es da Flig\u00ea, Mucug\u00ea \u00e9 um territ\u00f3rio da Chapada Diamantina onde a natureza, a cultura e a hist\u00f3ria pulsam para al\u00e9m das palavras escritas. 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