{"id":6015,"date":"2024-07-28T09:49:32","date_gmt":"2024-07-28T12:49:32","guid":{"rendered":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2024\/?p=6015"},"modified":"2024-08-02T20:54:37","modified_gmt":"2024-08-02T23:54:37","slug":"o-rei-e-preto-pai-inacio-o-simbolo-de-resistencia-da-chapada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/o-rei-e-preto-pai-inacio-o-simbolo-de-resistencia-da-chapada\/","title":{"rendered":"O Rei \u00e9 preto: Pai In\u00e1cio, o s\u00edmbolo de resist\u00eancia da Chapada"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">O Centro Cultural, na Flig\u00ea 2024, foi palco de uma discuss\u00e3o rica sobre as hist\u00f3rias e lendas que falam sobre In\u00e1cio, homem preto que foi escravizado e se apaixonou pela filha de um coronel poderoso da regi\u00e3o. No dia 27 de julho, \u00e0s 9h, a Mesa VI: \u201cEscritas de Pai In\u00e1cio: o rei da Chapada Diamantina\u201d, com Gildeci de Oliveira Leite, Mirand\u00ed Oliveira, Jorge Firdauz e Em\u00edlio Tapioca, com media\u00e7\u00e3o de Filismina Fernandes Saraiva, abordou as rela\u00e7\u00f5es culturais, sociais e pol\u00edticas em torno da figura de Pai In\u00e1cio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De acordo com a escritora Mirand\u00ed Oliveira, a hist\u00f3ria de In\u00e1cio gira em torno da persegui\u00e7\u00e3o que ele sofreu do coronel quando este descobriu que sua filha estava apaixonada por um homem preto e escravizado. Para al\u00e9m da lenda, Mirand\u00ed diz que queria conhecer mais afundo e saber como eles se conheceram, como eram os encontros \u00e0s escondidas, quais foram as afli\u00e7\u00f5es que eles sentiram ao serem descobertos pelo coronel. &#8220;Ent\u00e3o procurei esses detalhes e n\u00e3o encontrei, e resolvi escrever um romance dessa hist\u00f3ria linda, de sofrimento e de abusos contra o povo negro escravizados&#8221;, relata.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para o professor Gildeci de Oliveira Leite, para al\u00e9m de um morro, de um ponto tur\u00edstico, \u00e9 preciso entender que \u201cPai In\u00e1cio \u00e9 a grande refer\u00eancia negra na Chapada Diamantina, ent\u00e3o pouco importa se ele existiu, o que importa \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o e o capital simb\u00f3lico enquanto resist\u00eancia negra na regi\u00e3o\u201d, comenta. Muitas pessoas n\u00e3o acreditam nas lendas e na exist\u00eancia da figura de Pai In\u00e1cio, e isso se deve a falta de documenta\u00e7\u00e3o escrita, j\u00e1 que suas hist\u00f3rias s\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o oral, todavia, para al\u00e9m de registro, esse homem preto \u00e9 um s\u00edmbolo de luta para os povos pretos e pardos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo o escritor Jorge Firduaz, \u00e9 preciso trabalhar a narrativa sobre Pai In\u00e1cio dentro de v\u00e1rios pontos de vista, por isso sua inten\u00e7\u00e3o ao escrever seu livro foi a de contar essa hist\u00f3ria t\u00e3o relevante para as nossas gera\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que muitos jovens pouco conhecem sobre a lenda de Pai In\u00e1cio. \u201cPara mim o importante n\u00e3o \u00e9 discutir se ele foi real ou n\u00e3o real, se era In\u00e1cio ou Ign\u00e1cio, existem muitas hist\u00f3rias, mas essa n\u00e3o \u00e9 a abordagem que eu gostaria de ter, a minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o simbolismo dele aqui na Chapada Diamantina\u201d. Novamente, retornamos a tratar da quest\u00e3o resist\u00eancia de um preto escravizado, e reivindicar a import\u00e2ncia da lenda para al\u00e9m do morro que vai se visitar, para que a popula\u00e7\u00e3o oprimida exer\u00e7a cada vez mais sua autonomia e liberdade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O escritor Em\u00edlio Tapioca relata que em um poema do livro \u201cEncontros de versos e rima\u201d, da professora Ana da Silva Oliveira, a lenda ganha dimens\u00f5es po\u00e9ticas e diz: \u201cO Morro do Pai In\u00e1cio t\u00e3o importante cen\u00e1rio, provoca admira\u00e7\u00e3o ao povo da regi\u00e3o, e todos os turistas que a Chapada visitam, conta-se que o escravo In\u00e1cio loucamente apaixonado, e que diz estar com a roupa da filha do senhor, foi perseguido e acuado para ent\u00e3o ser castigado. Desce serra, sobre morro, pega aqui, pega acol\u00e1, o pobre In\u00e1cio cansado, quase para n\u00e3o aguentar e os capangas em cal\u00e7o para o escravo alcan\u00e7ar. Chegando ao topo do morro, s\u00f3 a Deus pediu socorro. E naquele instante, ali tinha algo a decidir, saltar ou se entregar, n\u00e3o tinha tempo para pensar. No auge do desespero, saltou do despenhadeiro e fez de paraquedas a sobrinha da amada Mariazinha. E o milagre do amor, com certeza, o salvou\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse poema faz parte do imagin\u00e1rio da Chapada Diamantina, e est\u00e1 na oralidade do povo da regi\u00e3o h\u00e1 muito tempo e como isso \u00e9 instigante. Nos anos de 1700, j\u00e1 era de conhecimento os quilombos de Andara\u00ed e do Godoy, e por isso mesmo, a figura de Pai In\u00e1cio n\u00e3o pode se restringir ao patrim\u00f4nio material, hist\u00f3rico e cultural, pois muito se admira e se sabe das belezas naturais e espaciais desses lugares, mas pouco se sabe das suas reminisc\u00eancias e do sentido de pertencimento desse espa\u00e7o-tempo-lugar, que nasce da presen\u00e7a de In\u00e1cio nos terreiros de jar\u00ea. Por fim, \u00e9 preciso compreender o espa\u00e7o que Pai In\u00e1cio ocupa enquanto entidade que povoa a mente de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es na Chapada Diamantina. Por isso, ele \u00e9 o rei preto, o rei da Chapada, pois suas hist\u00f3rias e lendas se entrela\u00e7am nas trilhas e letras diamantinas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Rep\u00f3rter: Larissa Caldeira<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fot\u00f3grafo: Igor Chaves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Centro Cultural, na Flig\u00ea 2024, foi palco de uma discuss\u00e3o rica sobre as hist\u00f3rias e lendas que falam sobre In\u00e1cio, homem preto que foi escravizado e se apaixonou pela filha de um coronel poderoso da regi\u00e3o. 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