{"id":4754,"date":"2022-08-14T12:07:18","date_gmt":"2022-08-14T15:07:18","guid":{"rendered":"http:\/\/fligemucuge01.com.br\/2022\/?p=4754"},"modified":"2022-08-31T16:44:38","modified_gmt":"2022-08-31T19:44:38","slug":"literatura-ancestral-o-cordel-com-expressao-da-memoria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/literatura-ancestral-o-cordel-com-expressao-da-memoria\/","title":{"rendered":"Literatura ancestral: o cordel como express\u00e3o da mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><em>A programa\u00e7\u00e3o da feira trouxe o cordel como express\u00e3o ancestral<\/em><\/p>\n<p>O povo sertanejo \u00e9 considerado o mais antigo do interior do Brasil, portanto, um povo que traz em si as ancestralidades e mem\u00f3rias de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. O cordel \u00e9 uma express\u00e3o liter\u00e1ria popular e a base da forma\u00e7\u00e3o educacional desse povo. No s\u00e9culo XIX, antes mesmo de ir para a escola, as crian\u00e7as escutavam e aprendiam os cord\u00e9is contados pelos adultos, e com o tempo passavam a fazer os seus.<\/p>\n<p>O cordel \u00e9 uma poesia que nos transporta e \u00e9 capaz de promover a alegria instant\u00e2nea nas pessoas. Mas, para al\u00e9m disso, ele \u00e9 um retrato documentado de fatos hist\u00f3ricos, um ve\u00edculo de educa\u00e7\u00e3o e letramento e de resist\u00eancia pol\u00edtica. Para o cordelista Jos\u00e9 Walter, convidado da Flig\u00ea, o cordel foi uma nova forma de se comunicar que emergiu no s\u00e9culo XIX a partir dos diversos falares que se estabeleceu na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-4757\" src=\"http:\/\/fligemucuge01.com.br\/2022\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_1251.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_1251.jpg 1620w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_1251-300x200.jpg 300w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_1251-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_1251-768x512.jpg 768w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_1251-1536x1024.jpg 1536w, http:\/\/fligemucuge.com.br\/2025\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/IMG_1251-270x180.jpg 270w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>S\u00e3o 500 anos de conviv\u00eancia cultural. Os diversos falares do Brasil foram se consolidando se formando a partir do fortalecimento da l\u00edngua portuguesa, pertencente ao colonizador, sem deixar de existir a l\u00edngua do povo negro e ind\u00edgena. Pois a partir da tradi\u00e7\u00e3o oral os povos sempre tiveram seu jeito de contar hist\u00f3rias e de fazer relatos.<\/p>\n<p>A Flig\u00ea enalteceu o cordel como g\u00eanero liter\u00e1rio durante sua programa\u00e7\u00e3o. Na Casa Roxa, durante a tarde de sexta-feira (12), durante a sess\u00e3o de Conversas Autorais, e durante a manh\u00e3 de s\u00e1bado (13),\u00a0 na mesa Literatura de Cordel, \u00e0s 11h, no Centro Cultural. Al\u00e9m das sess\u00f5es liter\u00e1rias, estandes exibiam livretos e cordelistas alocados na feira.<\/p>\n<p><strong>Culturas ind\u00edgenas &#8211;\u00a0<\/strong>De acordo com Jos\u00e9 Walter, os povos ind\u00edgenas faziam esses relatos com as dan\u00e7as, escritas rupestres e cantigas. Portanto, a cultura ind\u00edgena \u00e9 tamb\u00e9m parte constituinte do que hoje entendemos como cordel brasileiro. \u201cN\u00f3s somos produtos dessa trilogia africana, portuguesa e ind\u00edgena\u201d, afirma Walter.<\/p>\n<p>O cordel \u00e9 ancestral, mas, ainda assim, est\u00e1 em processo de expans\u00e3o para al\u00e9m do Nordeste brasileiro. Suas tem\u00e1ticas n\u00e3o se restringem apenas \u00e0s est\u00f3rias dos povos sertanejos, mas tamb\u00e9m aos elementos do cotidiano e, at\u00e9 mesmo, da internet, que n\u00e3o deixa de entrar nas rimas. Pode-se dizer que o cordel \u00e9 tamb\u00e9m cibern\u00e9tico. Os versos est\u00e3o nas p\u00e1ginas do Facebook e Instagram, com perfis dedicados ao g\u00eanero.<\/p>\n<p>Como express\u00e3o cultural, ele tamb\u00e9m chegou \u00e0s universidades e estudos acad\u00eamicos. E, mesmo com todas as dificuldades e preconceitos, o cordel continua sendo resist\u00eancia cultural e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O cordel resistiu \u00e0 televis\u00e3o, ao r\u00e1dio e \u00e0 internet. O cordel fez seus versos ecoarem em cada canto do Brasil com a mesma bravura e resili\u00eancia que remete ao povo sertanejo. O cordel \u00e9 patrim\u00f4nio cultural, ancestral e singular. Um viva a essa express\u00e3o popular e nordestina.<\/p>\n<p><em>Texto Larissa Caldeira. Fotos Vin\u00edcius Brito.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A programa\u00e7\u00e3o da feira trouxe o cordel como express\u00e3o ancestral O povo sertanejo \u00e9 considerado o mais antigo do interior do Brasil, portanto, um povo que traz em si as ancestralidades e mem\u00f3rias de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. O cordel \u00e9 uma express\u00e3o liter\u00e1ria popular e a base da forma\u00e7\u00e3o educacional desse povo. 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